A Velt Partners, conhecida por sua atuação no value investing, tomou a decisão de ampliar o escopo de atuação além do mercado acionário listado. A firma comunicou clientes sobre a intenção de adotar novas abordagens de investimento no Brasil, buscando alternativas que possibilitem geração de valor em empresas bem administradas. Essa mudança surge da percepção de que o universo de companhias abertas com o perfil que a equipe procura ficou — em termos práticos — menor, o que reduz as oportunidades tradicionais de compra e venda de ações.
A gestão deixou claro que, por ora, não há uma lista fechada de táticas ou produtos, mas que as novas frentes terão ligação com equities no Brasil. Enquanto define essas frentes, os fundos de ações continuam sob administração da equipe atual. A Velt justificou a comunicação antecipada como uma atitude de transparência com seus investidores, informando que as decisões serão detalhadas à medida que forem concretizadas.
Index du contenu:
Por que a mudança?
A liderança da empresa avalia que o mercado brasileiro se transformou nos últimos anos, reduzindo o número de oportunidades que cabem na filosofia de investimento da casa. Segundo os sócios, a intenção é buscar geração de valor empresarial em negócios de qualidade e gestão sólida, e não apenas explorar diferenças de preço de curto prazo. O fundador e sócio, Mauricio Bittencourt, explicou que a constatação foi difícil, dado seu histórico profissional, mas necessária diante das condições atuais do mercado.
Essa revisão estratégica decorre também de uma avaliação prática sobre escala e relevância: ao se limitar exclusivamente à bolsa, a gestora sentia que atuava em um espaço que já não comportava plenamente suas ambições. A ideia é manter o DNA do value investing — foco em fundamentos e administração — mas ampliar os instrumentos e formatos para alcançar esses objetivos em ambientes menos saturados ou não necessariamente listados.
Alternativas consideradas
Embora as definições ainda não estejam finalizadas, a Velt sinalizou algumas direções possíveis que mantêm ligação com o universo de equities brasileiros. Entre as alternativas mencionadas estão investimentos fora do mercado público tradicional e estruturas que permitam alinhar retorno e controle, sem descartar instrumentos híbridos. A gestora enfatizou que a transição será feita de forma gradual e que os fundos de ações continuarão sendo geridos pela equipe até que novas soluções sejam implementadas.
Investimentos privados
Uma das opções na mesa é a participação direta em empresas por meio de investimentos privados, atuando em companhias que não estejam listadas na bolsa. Nesse formato, a Velt poderia aplicar sua experiência de análise fundamentalista para identificar negócios com potencial de valorização ao longo do tempo, contribuindo com capital e, eventualmente, com governança. Esse caminho reforça o foco em negócios de alta qualidade e em gestores competentes, aproximando a gestora de ciclos de criação de valor fora do circuito público.
Crédito conversível em ações
Outra alternativa apontada é o uso de instrumentos híbridos, como o crédito conversível em ações, que combina características de dívida e participação acionária. Esse tipo de operação permite à gestora proteger parte do capital enquanto preserva a opção de converter o crédito em participação acionária caso a empresa atinja metas ou maturidade desejada. Trata‑se de uma estratégia que mantém o vínculo com equities, mas oferece estruturas contratuais diferentes das negociações puramente em bolsa.
Impacto operacional e transparência
Na prática, a Velt já ajustou sua operação: a equipe responsável pelos fundos de ações foi reduzida, passando de cerca de 25 para aproximadamente 10 profissionais. A gestora administra cerca de R$ 2 bilhões, com grande parcela vinculada a investidores estrangeiros; no Brasil, a maioria do patrimônio sob gestão corresponde a recursos do próprio Mauricio Bittencourt. Apesar do enxugamento da equipe, a mensagem é que a transição será feita com cuidado, mantendo a governança dos fundos em operação até que as novas estratégias estejam prontas.
Para os clientes, a Velt optou por avisar antecipadamente sobre a mudança como medida de respeito e clareza. A expectativa é que, assim que houver decisões concretas sobre formatos e prazos, a gestora compartilhe um plano mais detalhado. Enquanto isso, a atuação cotidiana segue, mas com vista a uma diversificação que preserve o foco na criação de valor e na disciplina de investimento que marcou a trajetória da casa.
