A barreira entre o dinheiro físico e as finanças digitais ficou menor: a Trust Wallet implementou um recurso que permite aos usuários nos Estados Unidos converter dinheiro em espécie diretamente em criptoativos. A funcionalidade, habilitada por meio de uma integração com a infraestrutura da Coinme, conecta o app de autocustódia a uma rede com mais de 15 mil pontos de venda, oferecendo uma rota prática para transformar cédulas em tokens como BTC e USDC.
O novo fluxo dispensa conta bancária, cartão ou saldo custodial: o usuário escolhe o ativo no aplicativo, localiza um estabelecimento participante por geolocalização e finaliza a compra no caixa exibindo um código de barras. Em poucos minutos, os ativos são enviados ao endereço do cliente dentro da carteira, preservando a autocustódia e eliminando intermediários que retenham os fundos após a operação.
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Como funciona a experiência de conversão
O processo foi desenhado para ser direto: dentro do app o usuário seleciona o ativo desejado e opta por pagar com dinheiro em espécie. O sistema indica o ponto de venda mais próximo na rede Coinme, onde basta apresentar um código para que o caixa receba as cédulas e processe a transação. A liquidação costuma ocorrer em questão de minutos, com os tokens chegando à carteira sem custódia de terceiros, mantendo o controle total do usuário sobre suas chaves privadas.
Taxas e comparação com outras alternativas
O modelo de cobrança da novidade foi pensado para ser competitivo: além de uma taxa de câmbio aproximada de 4%, há um pequeno custo de serviço cobrado no estabelecimento. Isso coloca a solução como alternativa mais barata em relação a máquinas automáticas de Bitcoin (ATMs) que frequentemente cobram taxas superiores a 20%. A proposta, portanto, busca reduzir custos e trazer maior previsibilidade ao consumidor que depende de dinheiro físico.
Alcance e implicações para inclusão financeira
A cobertura nacional do serviço facilita o acesso ao universo cripto para públicos que ainda vivem majoritariamente em economias baseadas em cédulas, como trabalhadores do setor de serviços e profissionais que recebem pagamentos em espécie. Estimativas apontam que quase 90% da população norte-americana mora a poucos quilômetros de um dos pontos participantes, o que amplia o potencial de uso cotidiano para poupança, remessas e interação com protocolos DeFi.
Licenciamento e segurança
A infraestrutura opera sobre licenças de transmissão de valores e integra mecanismos de compliance que visam atender exigências regulatórias. A presença de uma camada autorizada é importante especialmente para quem compra stablecoins lastreadas em dólar, como o USDC, que vem ganhando espaço em fluxos de pagamento e liquidação tradicionais. A parceria entre Trust Wallet e Coinme procura garantir que a conversão de fiduciário para token ocorra em ambiente regulado e monitorado.
Contexto corporativo e limitações regionais
A iniciativa da Trust Wallet chega em um momento de movimentações estratégicas no mercado: a Coinme foi anunciada como parte de iniciativas maiores de integração de rampas fiduciárias, o que fortalece a ideia de criar um ecossistema onde pagamentos tradicionais e infraestrutura blockchain coexistem. A solução já está disponível em 48 estados dos EUA e em Porto Rico, com exceções notáveis: residentes de Nova York e Vermont não têm acesso ao serviço, e a compra de stablecoins via depósito físico permanece indisponível para usuários do Texas.
Executivos das empresas destacam que a novidade não apenas reduz obstáculos logísticos, como também amplia opções para pessoas sem conta bancária gerirem seu capital em formatos resistentes à inflação e compatíveis com ferramentas financeiras descentralizadas. Para muitos, a capacidade de transformar cédulas em ativos digitais representa um primeiro passo para acessar pagamentos mais rápidos, transferências internacionais e serviços DeFi.
Ao convergir pontos de venda físicos com carteiras não custodiais, a Trust Wallet e a Coinme procuram tornar a entrada na economia tokenizada mais direta, econômica e inclusiva para quem ainda depende do dinheiro em espécie.
