Uma ação criminosa contra um executivo ligado à maior corretora de criptomoedas do mundo chamou atenção das autoridades na França. Na manhã de 12 de fevereiro, três indivíduos encapuzados tentaram invadir o apartamento apontado como residência do presidente da subsidiária francesa da Binance. A tentativa falhou porque o alvo não estava no local; ainda assim, os assaltantes conseguiram subtrair dois aparelhos telefônicos pessoais antes de fugir. O episódio expõe riscos físicos enfrentados por profissionais do setor cripto e exemplifica como ameaças reais podem atravessar a fronteira digital.
Index du contenu:
Como ocorreu a invasão e os erros dos criminosos
Segundo relatos locais e investigações policiais, os três suspeitos iniciaram a ação por volta das sete da manhã e demonstraram desconhecimento do endereço exato: forçaram a entrada em um apartamento errado e obrigaram um morador a apontar o caminho até a residência pretendida. Dentro do imóvel certo, reviraram os cômodos em busca de acesso a contas ou valores, mas acabaram levando apenas dois telefones. Esse detalhe é relevante porque os dispositivos, embora pessoais, emitiram sinais que mais tarde seriam fundamentais para o rastreamento das autoridades. O incidente evidencia a combinação de violência física com tentativa de obter credenciais digitais.
Rastreamento, nova tentativa criminosa e prisões
Algumas horas depois do primeiro ataque, o mesmo grupo tentou um novo assalto em uma região vizinha, onde houve relato de agressão a uma mulher. Moradores alertaram a polícia, que rapidamente correlacionou os casos ao identificar o sinal dos celulares roubados e imagens de câmera de rua que mostravam o mesmo carro usado na primeira invasão. A partir desses indícios, as forças de segurança acompanharam a movimentação dos suspeitos até a estação de trem e seguiram o trajeto em trens de alta velocidade até Lyon. Na chegada, uma tropa especializada aguardava a plataforma: os três foram detidos ao descerem do vagão.
Provas e colaboração entre unidades
A apreensão incluiu o veículo utilizado e os dois aparelhos subtraídos no primeiro endereço. A atuação integrada entre a polícia local, unidades de investigação e uma unidade de elite — citada nas comunicações oficiais como a Brigade de Répression du Banditisme — foi destacada por representantes da Binance e por autoridades. A rapidez da resposta e a ligação entre sinais eletrônicos e imagens de vigilância mostram como provas físicas e digitais se complementam em investigações criminais contemporâneas. As detenções resultaram na abertura de inquérito para apurar a motivação e a possível intenção de acessar ativos ou contas digitais.
Reações da Binance e contexto mais amplo
Oficialmente, a Binance confirmou que um de seus colaboradores foi alvo do ocorrido, sem identificar o nome do empregado. O presidente da unidade francesa, indicado pela imprensa como David Prinçay, não chegou a ser localizado no imóvel no momento da invasão; ele e sua família, segundo declarações públicas, estavam bem. O cofundador da Binance, Zhao Changpeng (CZ), e Yi He, cofundadora e diretora de atendimento, publicaram mensagens ressaltando a prioridade pela segurança dos funcionários e agradecendo a atuação das forças policiais. Essas declarações também enfatizaram a necessidade de reforçar medidas de proteção pessoal e digital para pessoas ligadas a criptoativos.
A escalada dos chamados “wrench attacks”
O episódio em território francês ocorre em um contexto de aumento de ataques físicos direcionados a detentores e executivos de criptoativos. Plataformas de segurança reportaram crescimento expressivo desse tipo de crime: em, houve uma alta significativa no número de casos verificados globalmente, com perdas financeiras importantes atribuídas a ataques físicos que forçam transferência de fundos. A França, especificamente, apresentou um número elevado de incidentes, o que levou a uma preocupação crescente entre profissionais do setor sobre práticas de segurança física e de proteção de chaves e credenciais digitais.
Por fim, o caso ilustra riscos que vão além do universo online: mesmo sem acessar diretamente carteiras digitais no local, os criminosos tentaram obter dispositivos e informações que pudessem viabilizar acessos futuros. A investigação segue em andamento, com os três detidos aguardando procedimentos legais para esclarecer a autoria e a extensão do plano criminoso. Enquanto isso, organizações e especialistas reforçam alertas sobre a importância da autocustódia, medidas de proteção pessoal e proteção de dados para profissionais do setor cripto.
