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Tether pode ficar à frente do Bitcoin e do Ethereum, diz analista da Bloomberg

Nos últimos comentários públicos, Mike McGlone, estrategista da Bloomberg, reiterou uma visão que coloca as stablecoins no centro das atenções do mercado cripto. Segundo ele, a dinâmica atual favorece ativos atrelados ao dólar e existem sinais estruturais que poderiam enfraquecer a liderança histórica do Bitcoin.

A previsão que mais chama atenção resume-se a duas hipóteses opostas: ou o Bitcoin sustenta níveis altos e mantém sua dominância, ou a correção pode levar a moeda de volta próximo de US$ 10.000. Em paralelo, a expansão do estoque de Tether (USDT) configura uma mudança no fluxo de capital dentro do ecossistema.

McGlone associa esse cenário a fatores macro e a transformações internas do mercado cripto. Ele destaca que o período de liquidez muito abundante em 2026–21 alterou permanentemente preços e comportamento dos investidores; sem esse ambiente, o preço de equilíbrio do Bitcoin poderia estar mais baixo. Ao mesmo tempo, a proliferação de tokens e a emergência de mecanismos como as stablecoins criam novas rotas para preservação de valor e negociação. Com isso, o analista projeta que o USDT pode superar o Ethereum em termos de AUM e, em uma trajetória de longo prazo, até chegar acima do Bitcoin.

Por que McGlone vê risco de queda para o Bitcoin

A tese de baixa de McGlone baseia-se na combinação entre estrutura de mercado e histórico de preços. Ele lembra que, antes da onda de estímulos de 2026–21, o Bitcoin frequentemente oscilava em torno de US$ 10.000, faixa que também concentrou grande volume desde 2017, quando os futuros ganharam força. Na visão dele, a ausência prolongada de liquidez e o aumento da oferta de criptoativos funcionam como ventos contrários. Além disso, o crescimento de produtos e tokens concorrentes tende a dispersar capital, reduzindo o papel exclusivo do Bitcoin como receptor principal de fluxo especulativo.

Nível de US$ 75.000 como ponto decisivo

O argumento-chave é simples: se o Bitcoin não conseguir se manter de forma decisiva acima de US$ 75.000, a tendência de baixa tem caminho aberto. McGlone coloca esse patamar como um limiar técnico e psicológico — uma barreira que, se vencida com persistência, derrubaria a sua visão pessimista. Se o preço permanecer abaixo, a probabilidade de rebaixamento até cerca de US$ 10.000 aumenta substancialmente. Em termos de capitalização, uma queda de aproximadamente 85% reduziria o tamanho de mercado do Bitcoin para algo próximo de US$ 210 bilhões, cenário que facilitaria a ascensão relativa de outras categorias, como as stablecoins.

A ascensão das stablecoins e o “flippening” possível

McGlone vê as stablecoins como a tendência mais duradoura do setor: ativos com paridade em dólar oferecem um fluxo de liquidez estável e funcional para traders, exchanges e protocolos de DeFi. Em números, o USDT já possui uma capitalização significativa — cerca de US$ 184 bilhões — comparada com Ethereum (aproximadamente US$ 259 bilhões) e Bitcoin (cerca de US$ 1,4 trilhão). McGlone projeta que o aumento continuado do ativo sob gestão da Tether pode levar a uma inversão relativa, o chamado flippening, primeiro sobre o Ethereum e, em horizonte mais longo, até sobre o Bitcoin.

Implicações para investidores e mercado

Se a migração de fluxo realmente ocorrer, a composição do mercado mudaria: mais capital em USDT significa maior liquidez em pares estáveis e possibilidade de menor volatilidade relativa para quem privilegia segurança cambial. Mas também há riscos: um aumento da participação de stablecoins pode sinalizar aversão ao risco generalizada e reduzir o apetite por posições diretas em Bitcoin e altcoins. McGlone menciona ainda que um choque nos mercados de ações e uma volta da volatilidade poderiam acelerar esse movimento, alimentando saídas para posições em dólar dentro do universo cripto.

Conclusão: cenários e sinais a observar

O desfecho proposto por McGlone fica condicionado a eventos claros: a defesa sustentada de US$ 75.000 por parte do Bitcoin invalidaria a perspectiva de retorno a US$ 10.000; o fracasso em manter esse nível reforçaria a narrativa de retração e favorecerá o crescimento relativo do USDT. Para quem acompanha o mercado, os sinais a monitorar são fluxos de capital, comportamento das stablecoins em termos de emissão e retirada, e a reação do preço do Bitcoin em torno do patamar citado. Em todos os cenários, a leitura de McGlone sublinha que a estrutura do mercado mudou e que as decisões de alocação precisarão considerar essa nova realidade.

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