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Tether aporta US$ 127,5 milhões e plano de recuperação reestrutura o Drift Protocol

O ecossistema cripto voltou a ser sacudido quando o Drift Protocol apresentou um plano de recuperação após um exploit de grande magnitude ocorrido em 1º de abril. Em comunicado divulgado em 16 de abril, a emissora da stablecoin USDT, a Tether, informou que destinará US$ 127,5 milhões ao projeto como parte de um pacote financeiro mais amplo.

O ataque resultou em uma perda aproximada de US$ 280 milhões, afetando diretamente usuários da corretora descentralizada e derrubando o preço do token nativo DRIFT.

Além do aporte principal, o plano de socorro combina outras fontes de capital: investidores externos somam cerca de US$ 20 milhões, enquanto o próprio Drift anunciou uma linha de crédito de US$ 100 milhões vinculada à previsão de receitas futuras da plataforma. A estratégia também prevê a conversão de saldos operacionais de USDC para USDT, medida que busca preservar liquidez imediata e simplificar a restauração das operações. Paolo Ardoino, CEO da Tether, afirmou que a ação prioriza os usuários e pretende estabilizar a corretora enquanto ela retoma suas atividades na Solana.

Detalhes do pacote financeiro e medidas operacionais

O conjunto de medidas foi desenhado para combinar suporte de curto prazo com mecanismos de recuperação a médio prazo. A injeção de capital direta de Tether tem caráter emergencial, enquanto a linha de crédito do Drift procura garantir fluxo de caixa futuro. Complementando isso, o protocolo anunciou que fará a migração de reservas em USDC para USDT, ação que pode mudar a percepção de confiança em stablecoins dentro de projetos semelhantes. Em paralelo, a equipe anunciou um fundo de recuperação e a criação de um novo token destinado aos afetados pelo incidente.

O novo token de recuperação

A equipe do Drift detalhou que será emitido um Recovery Token transferível, pensado para facilitar a distribuição de ativos de recuperação e gerar novas oportunidades de liquidez aos usuários prejudicados. Os detalhes precisos da mecânica ainda serão divulgados, mas a proposta segue a lógica histórica de resgates cripto que usam tokens emergentes para compensação — exemplo notório foi o BFX/LEO após o caso da Bitfinex. A intenção é mesclar transparência no processo de distribuição com possíveis caminhos de valorização futura para os beneficiários.

Reação do mercado e comparação histórica

A publicação do plano provocou reação imediata nos mercados: o token DRIFT, que havia caído cerca de 65% após o ataque, registrou uma alta de aproximadamente 23,7% no dia do anúncio, recuperando parte das perdas. Essa dinâmica lembra episódios anteriores na indústria, em especial o programa de reestruturação da Bitfinex que originou o token UNUS SED LEO. A diferença atual é a presença explícita de uma grande emissora de stablecoin liderando a iniciativa, o que pode alterar como projetos escolhem contrapartes para suas reservas e rotinas de liquidez.

Processo contra a Circle e implicações regulatórias

No mesmo cenário, surgiu uma ação judicial nos Estados Unidos movida por Joshua McCollum, investidor que afirma ter perdido US$ 23.500 com o incidente. O processo alega que a emissora da USDC, a Circle, teve oportunidade de congelar os fundos usados pelos atacantes, mas não tomou medidas eficazes. Segundo a petição, os malfeitores converteram ativos para USDC e utilizaram o CCTP da Circle para transferir fundos entre Solana e Ethereum, em um período de fuga que durou horas.

Resposta da Circle e riscos para a confiança em stablecoins

A Circle, que abriu capital em junho de 2026, tem defendido que bloqueios de fundos dependem de ordens judiciais ou solicitações de autoridades, conforme declaração do CEO Jeremy Allaire. A ação de McCollum cita casos anteriores e acusa a empresa de não congelar quantias significativas em outros incidentes, apontando relatos de que mais de US$ 420 milhões teriam escapado de tentativas de congelamento desde 2026. Independentemente do resultado judicial, o episódio tende a estimular debates regulatórios sobre responsabilidade das emissoras de stablecoins e poderá influenciar a escolha entre USDT e USDC por projetos que buscam maior previsibilidade operacional.

Ao final, a intervenção da Tether no caso do Drift Protocol destaca como atores com grande liquidez podem moldar histórias de recuperação no setor cripto. O desfecho das negociações, as regras do Recovery Token e o andamento do processo contra a Circle serão determinantes para entender mudanças de governança, confiança em stablecoins e as preferências dos projetos em relação a contraparte financeira nos próximos meses.

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