A ministra Simone Tebet confirmou a decisão de disputar uma vaga no Senado pelo estado de São Paulo, abrindo mão da longa trajetória no MDB para negociar filiação ao PSB. A pré-candidatura foi anunciada em 12 de março, durante evento em Campo Grande, e dá sequência a uma movimentação articulada com o presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin.
A troca de partido e a alteração de domicílio eleitoral — de Mato Grosso do Sul para São Paulo — são parte da estratégia que pretende consolidar uma frente com apelo ao eleitorado do centro e do interior paulista.
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Contexto e motivações da mudança
Segundo relatos públicos e conversas reservadas, a migração de Tebet responde tanto a uma convocação política quanto a fatores eleitorais práticos: em 2026 São Paulo foi o estado que lhe deu mais votos na disputa presidencial, representando mais de um terço das suas votações, o que embasou a decisão. Em janeiro, o jornal O Globo já havia adiantado o acordo para a mudança de domicílio. A ministra tem dito que entende a política como uma missão e que aceitar o desafio paulista é contribuir para um projeto de governabilidade nacional, atuando ao lado de lideranças da coligação.
Impasso interno no PSB paulista
Dentro do PSB em São Paulo há resistência e negociações delicadas: a bancada estadual vê em Márcio França um nome natural para disputar o Senado, por sua trajetória local e por uma base consolidada de prefeitos e deputados. Integrantes do diretório dizem que a entrada de Tebet é bem-vinda desde que não exclua líderes históricos do partido. Na prática, a sigla paulista mira preencher duas vagas ao Senado, o que pode gerar atritos com o PT e outros aliados caso as vagas sejam todas reivindicadas pelo PSB.
Márcio França e as alternativas internas
Márcio França tem sido apontado como opção consistente nas sondagens e teve o apoio de setores locais ao longo dos últimos ciclos eleitorais; ele mesmo declarou que enxerga Tebet como um “reforço”, mas lembrou que o técnico é Lula para montar a equipe. O PSB paulista avalia caminhos como alocar França em um ministério ligado ao vice Alckmin (Desenvolvimento Econômico) ou abrir espaço para que concorra a uma vaga de deputado federal, alternativas que buscam acomodar lideranças sem desarticular a aliança com o PT.
Articulação com Tabata Amaral e Alckmin
Em Brasília e em São Paulo, figuras como a deputada Tabata Amaral e o próprio Geraldo Alckmin atuam para viabilizar a filiação de Tebet ao PSB. A estratégia contempla ainda uma frente centrada por Fernando Haddad ao governo estadual, com o objetivo de atrair o eleitor moderado do interior. Nos bastidores, discute-se até oferecer a França a vaga de vice em uma composição com Haddad, embora essa hipótese não tenha ampla aceitação interna e precise conciliar interesses regionais e eleitorais.
Pesquisas e cenário competitivo
Levantamentos recentes apontam um quadro fragmentado para o Senado em São Paulo. A pesquisa do instituto Real Time Big Data, realizada nos dias 6 e 7 de março com 2.000 entrevistas (margem de erro de dois pontos, nível de confiança de 95%), mostra Tebet, Marina Silva e o deputado Guilherme Derrite tecnicamente empatados. Já o Datafolha, que ouviu 1.608 eleitores entre 3 e 5 de março (margem de erro de dois pontos, registro TSE SP-00705/2026), colocou Haddad com 30%, Tebet com 25%, França com 20% e Marina com 18% em um dos cenários testados. Esses números influenciam cálculos sobre onde concentrar esforços e como distribuir candidaturas na chapa.
Consequências práticas e próximos passos
Na prática, a saída de Tebet do MDB era condição para sua participação na base de Lula em São Paulo, já que o MDB estadual apoia o governador Tarcísio de Freitas. Em 2026, Tarcísio foi decisivo em episódios locais, como a eleição do prefeito Ricardo Nunes, e hoje conta com o apoio do presidente do MDB paulista, Rodrigo Arena, para a reeleição. A entrada de Tebet no PSB ainda não foi formalizada, mas é dada como provável por dirigentes nacionais; ela deve se reunir com Lula em breve para definir os últimos detalhes do projeto eleitoral e confirmar a legenda escolhida.
Observações finais
O tabuleiro paulista segue em formação: a presença de Simone Tebet no centro da disputa altera as equações locais e testa a capacidade de acomodação entre PSB, PT e outras forças da coalizão. A aposta em uma candidatura ao Senado tende a privilegiar a possibilidade de vitória em um cenário com múltiplos concorrentes de direita, mas depende de costuras internas e dos próximos anúncios de alianças. Acompanhar as definições e as respostas dos partidos será decisivo para o desfecho dessa reorganização política em São Paulo.
