O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF)foi sorteado na última quarta-feira (17) para relatar a notícia-crime apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A ação, protocolada em 4 de junho, acusa Lula de ameaça e incitação ao crime devido a um discurso proferido em Catalão (GO).
O caso ganhou destaque após Lula mencionar o enforcamento de traidores da pátriacomparando a situação atual com a história de Joaquim Silvério dos Reis e Tiradentes. A notícia-crime, apresentada pelo escritório Tracy Reinaldet Advogados Associados, argumenta que as declarações do presidente poderiam ser interpretadas como uma ameaça velada contra Flávio Bolsonaro e seus familiares.
O discurso que gerou controvérsia
Durante o discurso em Catalão (GO), Lula afirmou: “Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso?”. No entanto, o documento da notícia-crime destaca um erro histórico cometido por Lula, pois Joaquim Silvério dos Reis não foi enforcado; o executado foi Tiradentes.
Os advogados de Flávio Bolsonaro argumentam que Lula inverteu os papéis de sua própria parábolaconfundindo o herói com o vilão da história. Eles sugerem que essa confusão pode refletir a leitura que Lula faz do cenário político brasileiro atual.
Impacto nas redes sociais
Nas 24 horas seguintes ao discurso, a plataforma X registrou mais de 1.600 postagens contendo supostas ameaças contra Flávio Bolsonaro e seus familiares. Termos como “matar”“fuzilar”“esfaquear” e “atentados” foram amplamente utilizados. Além disso, outras 500 postagens continham ameaças veladas ou incitações à violência.
O conjunto de publicações alcançou mais de 14 milhões de visualizações, 900 mil curtidas e quase 200 mil compartilhamentos, demonstrando o impacto significativo do discurso de Lula nas redes sociais.
Decisões recentes de Nunes Marques
Neste mês, Kassio Nunes Marques tomou uma decisão favorável a Flávio Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)corte que preside desde o fim de maio. Em uma decisão monocrática, o ministro suspendeu uma pesquisa da AtlasIntel que apontava uma queda de seis pontos percentuais na intenção de voto do senador em um eventual segundo turno contra Lula.
Nunes Marques entendeu haver suspeitas de indução ao eleitor nas perguntas formuladas pelo instituto, que associavam Flávio ao caso Master. A pesquisa foi realizada após a divulgação de um áudio em que o pré-candidato pede recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse.



