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25 junho 2026

Senival Moura, Vereador do PT, Preso por Suspeita de Vínculos com o PCC

O vereador Senival Moura, do PT em São Paulo, foi preso por suspeita de ligação com o PCC, gerando preocupação na pré-campanha de Lula.

Senival Moura, Vereador do PT, Preso por Suspeita de Vínculos com o PCC

O vereador Senival Moura, do PT em São Paulo, foi preso nesta quinta-feira por suspeita de ligação com o PCC. A prisão ocorre em um momento delicado para o partido, que se prepara para a pré-campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A prisão de Senival Moura, que está em seu sexto mandato, tem potencial para trazer desgaste ao partido, especialmente em um tema sensível como o combate ao crime organizado. Lideranças do PT nacional esperam que o diretório do partido na capital paulista anuncie a abertura de um processo disciplinar para a expulsão do vereador.

Ligações com o PCC e Investigações Anteriores

As suspeitas de ligação de Senival Moura com o PCC preocupam lideranças petistas há mais de uma década. Em 2014, o Diretório Estadual do PT em São Paulo decidiu expulsar o irmão de Senival, o deputado estadual Luiz Moura, também por acusação de manter ligações com a facção criminosa.

Em 2026, foi noticiado que Senival era investigado por envolvimento na morte de Adauto Soares Jorge, então presidente da empresa de ônibus Transunião Transportes S.A.. A investigação sobre esse assassinato levou a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) a apontar o vereador como uma das figuras centrais de um suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC.

Infiltrado no Poder Legislativo

O promotor Lincoln Gakiya, durante uma coletiva de imprensa, falou sobre a infiltração do crime organizado, em especial o PCC, na economia formal e nos Três Poderes. “É uma empresa cuja direção foi capturada pelo crime organizado, pelo PCC, e também com um braço dentro do Poder Legislativo municipal. Infelizmente tivemos um vereador preso hoje”, disse Gakiya.

Gakiya explicou que o crime organizado há muito está infiltrado nos Poderes do Estado, participando de licitações milionárias. “Isso não quer dizer que o PCC quer se tornar um partido político, um prefeito, um governador, nem mesmo um vereador ou deputado. Mas ele quer participar de uma fatia dos negócios públicos”, afirmou.

Esquema de Lavagem de Dinheiro na Transunião

A investigação identificou que a Transunião Transportes S.A. foi utilizada como uma engrenagem financeira para a lavagem de dinheiro do PCC. A empresa recebeu R$ 180 milhões em subsídios da Prefeitura de São Paulo apenas nos cinco primeiros meses deste ano.

O delegado Ronaldo Sayeg, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), afirmou que a investigação identificou indícios de que recursos do PCC foram usados para inflar artificialmente o patrimônio da Transunião. “Eles realizavam o aumento patrimonial fictício da empresa, de R$ 100 mil para R$ 50 milhões. Isso evidentemente injetado com o dinheiro do crime organizado”, disse Sayeg.

Até a última atualização desta reportagem, três pessoas já haviam sido presas: o vereador Senival Moura, Jair Ramos de Freitas (“Cachorrão”), diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento (“Sapo”), motorista e homem de confiança do vereador.

A operação também resultou no bloqueio de 117 veículos, 21 imóveis e R$ 194.457.851,90 em contas dos alvos. Os investigados são acusados de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas.

Autor

Bruno Costa