O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a definição sobre a data de sua saída do cargo está vinculada à possível viagem do presidente Lula aos Estados Unidos para um encontro com o presidente Donald Trump. Em declarações à imprensa, Haddad explicou que terá uma reunião com Lula em 26/02/2026 para decidir se integrará a comitiva presidencial e, em caso afirmativo, a saída seguirá um calendário diferente do que se não houver a viagem.
A declaração ocorreu após o retorno de Haddad de Visitas oficiais à Índia e à Coreia do Sul, onde acompanhou o presidente. O ministro reiterou que pretende concluir alguns projetos prioritários e estudos técnicos antes de deixar a pasta, caso a transição se confirme.
Motivação e cronograma
Desde o final de 2026, Haddad tem manifestado a intenção de se desligar do Ministério da Fazenda para dedicar-se à campanha de reeleição do presidente Lula. Inicialmente cogitou uma saída em fevereiro, mas agora sinaliza que a mudança deve ocorrer no meio de março, dependendo da confirmação da viagem presidencial, possivelmente entre os dias 15 e 20 de março, janela ainda sem confirmação oficial.
Reunião decisiva
Na portaria do ministério, Haddad enfatizou que “se eu for [viajar], a data de saída é uma, se eu não for, a data é outra”. A frase resume a natureza condicional do processo: a presença na comitiva presidencial altera o momento e as necessidades administrativas de transição. Essa decisão será tomada na reunião prevista para 26/02/2026, quando o ministro espera alinhar com o presidente os próximos passos.
Prioridades antes da possível saída
Antes de qualquer desligamento, Haddad quer finalizar estudos e medidas considerados essenciais. Entre eles estão as alternativas de financiamento para a proposta de tarifa zero no transporte público — trabalhos que o ministro prometeu apresentar até abril — e a regulamentação sobre a tributação de criptoativos, assunto de crescente relevância no ambiente fiscal e financeiro.
Projetos em andamento
O ministro também destacou que o compromisso com estudos técnicos e propostas concretas visa garantir continuidade e reduzir riscos fiscais durante a transição. A elaboração de mecanismos de financiamento para políticas sociais e de mobilidade é tratada como prioridade, assim como a padronização de regras para o mercado de criptoativos, tema que envolve órgãos reguladores e o setor privado.
Sucessão e cenário político
O nome mais lembrado para assumir a chefia da pasta é o do atual secretário-executivo, Dario Durigan. Caso Durigan assuma, a expectativa é que o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, passe a ocupar a secretaria-executiva. Essas movimentações internas são tratadas como a via mais natural para preservar a estabilidade das contas públicas e a continuidade das políticas econômicas.
No plano político, Haddad enfrenta forte pressão dentro do PT para disputar cargos no estado de São Paulo, seja ao governo, seja a uma das vagas para o Senado. Publicamente, o ministro tem descartado a candidatura nas eleições deste ano, mas a questão permanece em aberto e é parte do cálculo sobre o momento de sua saída do Executivo.
Implicações para a equipe econômica
Uma mudança no comando da pasta impactaria a articulação com outros ministérios, o mercado e investidores, além de alterar temporariamente a coordenação de temas como a política fiscal, o acompanhamento da dívida pública e a agenda de reformas. A manutenção de quadros técnicos na transição é vista como essencial para evitar ruídos nas expectativas econômicas.
Contexto internacional e repercussão
A eventual viagem de Lula aos Estados Unidos para encontro com Donald Trump decorre de uma agenda bilateral que, se confirmada entre 15 e 20 de março, exigirá a composição da comitiva presidencial. A presença do ministro da Fazenda em deslocamentos internacionais costuma ser avaliada em função de agendas econômicas e negociações multilaterais, o que explica a ligação direta entre a viagem e o calendário de saída de Haddad.
Em síntese, a definição final dependerá do encontro entre Haddad e Lula em 26/02/2026 e da confirmação, ou não, da viagem presidencial aos Estados Unidos. Até lá, o ministro seguirá tocando as pautas consideradas prioritárias e alinhando a possível transição com a equipe técnica para garantir continuidade nas políticas econômicas.
