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Risco geopolítico e agenda econômica mantêm mercados em alerta

Os mercados globais iniciaram um período de maior cautela diante da escalada verbal em torno do Estreito de Ormuz e do prazo anunciado pelo presidente Donald Trump, estabelecido às 21h (horário de Brasília), para que a passagem seja reaberta. Esse limite, acompanhado de ameaças sobre possíveis ataques a infraestruturas, elevou a aversão ao risco e empurrou o preço do petróleo para cima, ao mesmo tempo em que reduziu o apetite por ativos de maior risco em bolsas ao redor do mundo.

No Brasil, indicadores domésticos e ações corporativas também chamam atenção, em um dia que reúne comunicações do governo e divulgação de dados relevantes.

Indicadores internacionais e falas do Fed

O calendário nos Estados Unidos traz leituras que podem redesenhar expectativas sobre a política monetária: às 9h15 saem os números do ADP semanal e, logo depois, às 9h30, as encomendas de bens duráveis. Ainda na pauta, discursos de dirigentes do Federal Reserve — entre eles Austan Goolsbee e Philip Jefferson — são observados como sinais sobre a trajetória dos juros. Analistas destacam que falas mais dovish reduziriam juros implícitos e melhorariam o humor, enquanto mensagens mais hawkish tendem a pressionar ativos de risco e fortalecer o dólar.

Panorama doméstico: consumo, comércio exterior e ações

No Brasil, a agenda diária combina dados e decisões políticas. Pela manhã, a Fenabrave divulga vendas de veículos, indicador útil para mensurar o comportamento do consumo. Às 15h00 sai a balança comercial de março (previsão: 6,80), que pode impactar câmbio e setores exportadores. No plano governamental, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem compromissos no Planalto a partir das 9h30 com o ministro da Fazenda Dario Durigan e o vice-presidente Geraldo Alckmin, além de encontros com o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira e outros integrantes da equipe econômica.

Medidas sobre combustíveis e programas sociais

O governo anunciou nova rodada de subvenção ao diesel de R$0,80 por litro para produtores nacionais, cortes de tributos do biodiesel e uma subvenção ao GLP, além de zerar o PIS/Cofins sobre combustível de aviação e oferecer linhas de crédito e adiamento de tarifas a companhias aéreas. Essas ações visam atenuar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre preços e cadeia de combustível, mas também levantam discussões sobre o impacto fiscal e a sustentabilidade de programas como o Gás do Povo, que beneficia milhões de domicílios.

Risco geopolítico: o nó do Estreito de Ormuz

A reabertura do Estreito de Ormuz tornou-se o epicentro do risco geopolítico. O Irã mantém controle rígido sobre o tráfego desde ataques que envolveram EUA e Israel em 28 de janeiro, com relatos de restrições seletivas a embarcações de nações consideradas inimigas. Diplomatas de mais de 40 países pediram a reabertura imediata da via, enquanto países do Golfo elevaram pedidos ao Conselho de Segurança da ONU, inclusive buscando autorização para uso da força. Paralelamente, dados de segurança marítima apontam para uma série de ataques a navios comerciais, reduzindo significativamente o tráfego e pressionando o preço do petróleo.

Impacto nos mercados de commodities e bolsas

O efeito direto no preço do petróleo foi imediato: referências internacionais avançaram de forma acentuada, com o Brent se aproximando de US$110 o barril em meio à menor oferta efetiva e ao receio de novas interrupções. Bolsas globais reagiram com queda — o Nikkei registrou recuo significativo e contratos futuros nos EUA apontavam perdas superiores a 1% — enquanto o mercado brasileiro registrou leve alta no índice Ibovespa, que fechou em 188.161,97 pontos, com ganho de 0,06% e 109,95 pontos no dia anterior, refletem a combinação entre preferência por ativos locais e cautela externa.

Empresas e resultados corporativos

No front corporativo, a Petrobras comunicou alterações no seu conselho e gestão: o encerramento antecipado do mandato do diretor-executivo de Logística, Comercialização e Mercados e a eleição de Angélica Laureano para a presidência do conselho, com posse a partir de 7 de abril de 2026 e mandato até abril de 2027. Já a MRV anunciou geração de caixa de R$387 milhões no primeiro trimestre, impulsionada pela venda de ativos nos EUA e pelo desempenho da operação de incorporação no Brasil; a MRV Incorporação isolou geração de caixa de R$96 milhões, superior aos quase R$80 milhões do quarto trimestre de 2026 e revertendo o consumo de caixa de R$68,6 milhões observado um ano antes.

Em resumo, um mix de tensão geopolítica, leitura de indicadores macro nos EUA e intervenções políticas domésticas mantém investidores em modo de avaliação constante. As próximas horas e divulgações — da balança comercial no Brasil às declarações do Fed e ao desfecho das negociações sobre o Estreito de Ormuz — devem orientar os próximos movimentos nos mercados e nas decisões corporativas.

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