A gestora SPX Capital iniciou uma reestruturação ampla na sua vertical de fundos multimercados, em resposta a um período de resultados abaixo do esperado e a um forte drawdown de março. Com cerca de R$ 54 bilhões sob gestão, a casa enfrenta a necessidade de ajustar custos e a configuração operacional para preservar valor e recuperar a confiança dos investidores.
Entre as medidas anunciadas está o fechamento do escritório em Londres e a reorganização da governança dos fundos, com impacto direto na equipe e na alocação de risco.
O movimento combina decisões de eficiência com mudanças na liderança: a SPX nomeou um novo head de fundos multimercado e centralizou parte das decisões no Brasil. Ao mesmo tempo, alguns sócios seniores deixaram a empresa — fato que acelerou redefinições internas. A gestão agora busca equilibrar a autonomia histórica dos gestores com uma supervisão mais consolidada, visando reduzir volatilidade e prevenir perdas acentuadas em momentos de stress.
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Motivações e ajustes operacionais
As mudanças refletem tanto fatores externos quanto internos. No ambiente de menor queda dos juros, investidores têm migrado capital para produtos de renda fixa incentivada como CRIs e LCIs, reduzindo o apetite por estratégias multimercado mais complexas. Paralelamente, a SPX avalia a eficiência de sua presença internacional: o escritório de Londres, que já suportou até 40 pessoas no passado, hoje opera com menos de 15 colaboradores e será fechado até o fim do ano. A operação de Nova York será enxugada e Singapura deve permanecer estratégica. O objetivo declarado é cortar despesas e alinhar a estrutura ao novo patamar de AUM.
Corte de custos e realocação de equipes
O fechamento do escritório em Londres implica realocação ou desligamento de profissionais, enquanto a sede no Brasil assume maior protagonismo na tomada de decisões. A medida visa eliminar despesas fixas elevadas e concentrar operações onde há sinergia e menor custo tributário. Internamente, a gestora optou por consolidar funções de supervisão e operação, mantendo, porém, autonomia operacional aos portfolio managers para decidir posições, com a diferença de que haverá monitoramento mais próximo e possibilidade de hedge centralizado.
Nova governança e liderança dos multimercados
Para reforçar controle e performance, a SPX criou a posição de chefe da vertical multimercado, ocupada por Bruno Pandolfi, um dos fundadores da casa. Pandolfi terá a responsabilidade de coordenar os livros, acompanhar operações diárias e agir quando necessário para alavancar as melhores ideias ou reduzir risco. A mudança busca reduzir a dispersão entre os diversos books que antes operavam de forma independente e sem centralização — um modelo de cerca de 14 books que, segundo a gestora, carecia de uma supervisão agregada.
Redefinição de papéis entre sócios
Rogério Xavier, outro fundador, passará a gerir um book próprio com foco em oportunidades de médio e longo prazo, enquanto a coordenação geral dos multimercados ficará sob Pandolfi. A centralização também levou à volta de decisões ao Brasil, com a transferência de alguns profissionais de Londres para o Rio de Janeiro. A intenção é criar uma linha de responsabilidade clara, preservando ainda o modelo de remuneração e P&L por book que a casa considera meritocrático.
Impactos nos fundos e reações do mercado
Os principais fundos da casa, Nimitz e Raptor (versão mais alavancada), apresentaram desempenho fraco desde 2026 e acumularam perdas no ano corrente em relatório interno. Em março, o Raptor registrou uma queda significativa de 11,9% em um mês considerado muito adverso para o segmento. A expectativa da gestora é de resgates pontuais após esses resultados, o que reforça a necessidade de reduzir custos fixos e ajustar risco agregado.
Saída de sócios e rearranjo de equipes
Diversos sócios seniores saíram durante o processo de reestruturação: entre eles, Marcelo Castro deixou a SPX no final de abril, e relatos indicam que membros da sua equipe foram desligados. Outra sócia mencionada em relatos da imprensa, Marcella Libardoni, também teria se afastado. Essas saídas ocorreram em meio ao debate interno sobre centralizar ou manter separados os books: Castro defendia um livro único, mas a maioria dos sócios optou por preservar os books independentes com supervisão centralizada.
Com a reestruturação, a SPX busca recuperar consistência de performance e responder às preferências dos investidores, ao mesmo tempo em que tenta preservar o que considera seu DNA meritocrático. A combinação de corte de custos, nova liderança e uma estratégia de governança mais consolidada pretende transformar um momento difícil em oportunidade de ajuste e renovação para os seus fundos multimercado.
