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renúncia do presidente da copasa e ligação a investigação sobre aegi a mexem no processo de privatização

A renúncia do presidente do Conselho de Administração da Copasa ocorreu no mesmo contexto em que surgiram reportagens que o citam em investigações sobre supostas propinas ligadas a concessões de água e esgoto. Segundo a imprensa, o executivo teria sido mencionado em delações e documentos que apontam coordenação de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos por meio de contratos de saneamento.

O comunicado oficial da companhia informa que a saída de Hamilton Amadeo tem efeito imediato e ressalta que os fatos noticiados dizem respeito à trajetória profissional anterior do executivo, sem relação direta com as operações atuais da Copasa. Em paralelo, repercute a movimentação de empresas do setor interessadas na privatização da estatal mineira.

O que motivou a renúncia

Reportagens indicaram que Hamilton Amadeo, que foi presidente-executivo da Aegea entre e fevereiro de, aparece em depoimentos no âmbito de investigações que envolveriam pagamentos destinados a facilitar concessões de saneamento. A matéria cita documentos e delações que associam o suposto esquema a pelo menos seis estados e 20 municípios, com movimentações financeiras estimadas em R$ 63 milhões entre e.

Detalhes da acusação e histórico profissional

Amadeo foi eleito presidente do Conselho de Administração da Copasa em abril de, com mandato até. As reportagens afirmam que ele teria admitido coordenação de pagamentos em delações apresentadas ao Superior Tribunal de Justiça. A divulgação dessas informações coincidiu com o processo de desestatização da Copasa, o que aumentou a atenção pública e política ao caso.

Posicionamentos das empresas envolvidas

Em nota, a Copasa enfatizou que os fatos reportados se referem ao passado profissional do executivo e não à integridade das operações da empresa. A companhia confirmou a renúncia e afirmou que as atividades institucionais seguem normalmente. Já a Aegea reiterou que, em 21/4/, houve a celebração de um Termo de Acordo entre sua ex-controlada e membros do Ministério Público Federal, no qual a Aegea atuou como interveniente-garantidora.

O que disse a Aegea

A Aegea informou que os fatos apurados são anteriores a e foram objeto de investigações internas e independentes, compartilhadas com o MPF sob sigilo. Segundo a companhia, os impactos financeiros desses acordos já constavam nas demonstrações desde e o ajuste não gera efeitos sobre a capacidade operacional e financeira das suas concessionárias.

Repercussões para a privatização e o mercado

A notícia da renúncia chega enquanto o governo de Minas Gerais avança no processo de privatização da Copasa: a Assembleia Legislativa aprovou projeto que autoriza a desestatização, e o modelo definido pelo Executivo prevê a venda como distribuição secundária, em que acionistas controladores ofertam suas participações sem emissão de novas ações. O objetivo declarado é atrair um investidor estratégico com experiência no setor e obter recursos para pagamento de dívidas estaduais.

No ambiente do mercado, empresas privadas têm se movimentado. A Aegea, por exemplo, ampliou capital antes de um IPO aguardado na B3, com aportes de Itaúsa e do fundo soberano de Singapura, GIC, que somaram R$ 1,2 bilhão — operações anunciadas antes da oferta pública. A companhia também manifestou interesse em participar da disputa pela Copasa, condicionando qualquer decisão ao desenho final do leilão e às condições econômicas.

Competidores no radar

Além da Aegea, outras empresas do setor, como a Sabesp, também têm demonstrado interesse em avaliar a Copasa como ativo estratégico. Declarações de executivos ressaltam que a decisão dependerá de análises de retorno ajustado ao risco e de aprovações internas por conselhos e acionistas.

O episódio coloca em evidência a sensibilidade entre governança corporativa, investigações judiciais e processos de privatização. Enquanto procedimentos legais seguem seu curso e as empresas reforçam posicionamentos institucionais, o mercado e potenciais interessados observam a evolução do caso e as definições sobre a venda do controle acionário.

Em razão da natureza em apuração das alegações e do caráter público das investigações, o desfecho pode influenciar prazos e condições do processo de desestatização. A Copasa e a Aegea mantêm comunicados formais e o espaço para esclarecimentos adicionais permanece aberto às autoridades e à mídia.