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Relatório revela liderança do Brasil e transformação das stablecoins na América Latina

Um levantamento aprofundado da fintech argentina Lemon sobre a indústria cripto na América Latina traz conclusões que reformulam a leitura do mercado regional. O estudo, centrado no ano de 2026, destaca diferenças marcantes entre países, com o Brasil assumindo a liderança em volume recebido e outros mercados mostrando perfis de uso distintos.

Ao longo das páginas, os autores descrevem uma transição de percepção: o termo crypto perde protagonismo para as stablecoins, que passam de reserva de valor a infraestrutura para movimentações financeiras entre fronteiras.

O relatório também antecipa uma onda de tokenização em 2026, com o Brasil já na vanguarda das iniciativas.

Panorama regional e diferenças entre países

A análise deixa claro que a América Latina não funciona como um único bloco homogêneo. Há economias com estruturas financeiras e marcos regulatórios muito distintos, o que gera formas de adoção variadas. No conjunto, a região cresceu de forma acelerada: usuários ativos aumentaram três vezes mais rápido que nos Estados Unidos, e o volume total recebido superou a marca de US$ 730 bilhões em 2026.

Dentro desse cenário, o relatório destaca que o Brasil passou à frente em volume total recebido, somando cerca de um terço do montante regional, enquanto a Argentina lidera em penetração por habitante. Em números, o Brasil alcançou US$ 318,8 bilhões em cripto recebidas, superando a Argentina e se consolidando como destino relevante para fluxos digitais.

Perfis de uso por país

A análise segmenta os mercados: Argentina e Venezuela mantêm forte uso das criptomoedas como proteção contra inflação — sobretudo em stablecoins —; Brasil e México experimentam aumento do interesse institucional e de uso mais especulativo; enquanto Colômbia e Peru aproveitam a tecnologia para ampliar acesso a produtos financeiros. Essa variedade traduz como estruturas locais e regulamentações modelam a utilidade das moedas digitais.

Adoção, aplicativos e comportamento do usuário

O relatório também detalha a dinâmica de plataformas: a exchange Binance aparece com o maior número de usuários na região, seguida por Lemon, Bitso, Belo e Coinbase. Em mercados específicos, como a Argentina, o duo Lemon e Binance concentrou cerca de 70% das sessões ativas em 2026, dividindo o protagonismo de forma praticamente igual.

Um ponto curioso é a relação entre o uso do PIX e o crescimento de downloads de apps cripto na Argentina. Viajantes e operadores que pagaram via PIX no Brasil, muitas vezes com conversões automáticas em USDT, impulsionaram um recorde de instalações de aplicativos, ilustrando como infraestruturas nacionais podem gerar efeitos colaterais digitais transfronteiriços.

Crescimento de usuários e motivos de entrada

Embora o aumento de adoção no Brasil tenha sido de cerca de 3,18% em novos usuários, países como Peru e Argentina lideraram o crescimento: 46,7% e 45,3% respectivamente, totalizando 2,2 milhões de novos investidores na região. Grande parte desse movimento foi motivada pela busca por dólares digitais (stablecoins), compras de Bitcoin e altcoins, e pela necessidade prática de enviar e receber valores internacionalmente.

Tendências futuras e implicações regulatorias

Os analistas projetam uma aceleração na tokenização de ativos em 2026, com o Brasil já mostrando iniciativas pioneiras. Essa transformação promete ampliar formas de representar bens reais em redes digitais, criando novos produtos financeiros e modelos de investimento.

Na seara regulatória, o estudo aponta avanços em alguns países, com marcos que favorecem a entrada institucional — especialmente no Brasil e no México —. Ao mesmo tempo, persistem incertezas, como a ambiguidade no tratamento tributário em impostos sobre ganhos e bens pessoais, tema que gera dúvidas para usuários, empresas e investidores.

O papel das stablecoins

Uma conclusão central é o reposicionamento das stablecoins: de mecanismo de proteção contra crises, passaram a funcionar como infraestrutura financeira para transferir valores, receber pagamentos do exterior e facilitar consumo em outros países. Esse uso mais operacional explica parte do crescimento volumétrico observado em 2026.

Em síntese, o relatório da Lemon mostra uma região em rápida evolução, com o Brasil ocupando posição de destaque em termos de volume e preparação para inovações como a tokenização, enquanto mercados como Argentina e Peru continuam registrando forte incremento em novos usuários e em usos cotidianos das criptomoedas.

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