O vice-presidente Geraldo Alckmin voltou a criticar a complexidade tributária brasileira, classificando-a como um ‘manicômio tributário’ que afasta investimentos estrangeiros. Durante evento do setor ferroviário em Dom Aquino, no Mato Grosso, Alckmin defendeu a reforma tributária aprovada no governo Lula como instrumento essencial para tornar o país mais atrativo.
A declaração reforça a preocupação do governo com o ‘custo Brasil’ que inclui não apenas a carga tributária, mas também desafios logísticos e infraestruturais. Enquanto a reforma tributária busca simplificar impostos, outros problemas estruturais continuam a prejudicar a competitividade do país.
O impacto do ‘manicômio tributário’ na economia brasileira
Alckmin destacou que o sistema tributário atual afasta empresas que desejam exportar para o Brasil ou investir em diversos setores. A reforma tributária segundo ele, é fundamental para mudar esse cenário e atrair investidores que veem o país com cautela.
O vice-presidente projetou que a desoneração de setores de matérias-primas prevista na reforma, pode impulsionar o PIB brasileiro em 12% em 15 anos, acompanhado por um aumento de 14% nos investimentos e 17% nas exportações. Esses números refletem a expectativa de que a simplificação tributária pode trazer benefícios significativos para a economia.
A crise logística: um desafio paralelo à reforma tributária
No entanto, a complexidade tributária não é o único obstáculo para o crescimento econômico. O Brasil enfrenta uma crise logística agravada pela falta de motoristas de caminhão. Segundo dados da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, o número de condutores habilitados para veículos pesados caiu mais de 60% na última década.
Em 2014, o país contava com cerca de 3,5 milhões de motoristas profissionais. Dez anos depois, esse número reduziu para 1,3 milhão. A idade média dos motoristas ativos já chega a 46 anos, e os jovens não têm demonstrado interesse pela profissão devido a baixos salários, insegurança nas rodovias e longas jornadas.
As consequências da falta de motoristas
A escassez de motoristas tem pressionado as transportadoras, com processos de contratação que antes levavam dois meses agora durando até seis. Sem motoristas suficientes, o frete encarece, a indústria perde eficiência e os preços finais dos produtos tendem a subir para o consumidor.
Esse cenário expõe uma vulnerabilidade antiga: o Brasil construiu uma economia continental apoiada em rodovias insuficientes, perigosas e caras. A solução passa pela valorização do motorista, com melhor remuneração e condições de trabalho, mas também pela diversificação da matriz de transportes.
O papel das ferrovias na logística brasileira
O evento em Mato Grosso, voltado ao setor ferroviário, reforça a importância de investir em infraestrutura. Ferrovias não são luxo, mas uma condição estratégica para um país que pretende exportar mais e reduzir custos. Grandes volumes precisam ser transportados por longas distâncias com menor custo e mais segurança, deixando ao caminhão o papel essencial da distribuição regional.
Alckmin tem razão ao chamar o sistema tributário de ‘manicômio’, mas o Brasil não será competitivo apenas com a simplificação de impostos. A competitividade virá quando o país conseguir integrar reforma tributáriainfraestruturalogísticasegurança nas estradas e valorização de quem mantém o país abastecido.


