A SPX Capital iniciou uma profunda reestruturação que afeta sua operação global e, em particular, a vertical de multimercados. O movimento inclui a saída de sócios seniores, ajustes na governança e mudanças de alocação de recursos com o objetivo de reduzir custos e readequar o tamanho da gestora.
Segundo fontes próximas ao processo, parte das mudanças busca simplificar estratégias e recuperar a capacidade de entrega de resultados após anos de desempenho aquém das expectativas do mercado.
Entre as ações anunciadas está o fechamento do escritório em Londres e a transferência de funcionários para outras praças, além da mudança para um espaço menor em Nova York. A empresa também está promovendo alterações na equipe de gestão de risco e na liderança da área de multimercados, focalizando a transformação operacional e o ajuste do risco assumido pelos sócios fundadores. Essas mudanças sinalizam uma tentativa de tornar a estrutura mais enxuta e alinhada com as metas de performance.
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O alcance da mudança e quem sai
Dois nomes de destaque deixaram a gestora: Marcelo Castro e Marcella Libardoni, segundo pessoas informadas que preferiram não se identificar porque as decisões não são públicas. Castro, que ocupava cadeira no conselho e comandava a área de multi-asset, saiu acompanhado de sua equipe. A saída de executivos seniores costuma provocar reconfigurações rápidas em carteiras e modelos de risco, e neste caso acendeu alertas sobre a continuidade de estratégias específicas dentro do portfólio da gestora.
Mudança de liderança na vertical de multimercados
Com a reestruturação da área de multimercados, Bruno Pandolfi, um dos cofundadores, foi escalado para comandar a divisão, enquanto o sócio-fundador Rogério Xavier terá seu nível de risco reduzido de forma expressiva. A intenção declarada com essa alteração na governança é simplificar as estratégias e buscar maior consistência nos resultados. A consolidação da liderança é vista como uma tentativa de centralizar decisões e acelerar a implementação de um novo modelo operacional mais focado e ágil.
Impactos operacionais e desempenho dos fundos
Em termos de performance, o principal fundo da casa, o Nimitz, acumula uma queda de 0,2% no ano, após taxas, enquanto o Raptor, versão mais agressiva do mesmo mandato, registra queda de 4,5%. Ambos ficaram atrás do avanço de cerca de 2% do índice Anbima Hedge Fund, que serve de referência para fundos multimercados locais. Esses números ajudam a explicar a urgência das mudanças: quando produtos líderes perdem competitividade frente a benchmarks, gestores tendem a revisar estratégias e estruturas de comando.
Operação internacional e ajuste de escritórios
Além do encerramento da operação no Reino Unido, a gestora tem escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Cascais e Singapura, e agora adota uma configuração física mais enxuta em Nova York. Os funcionários baseados em Londres serão realocados para outras localidades, conforme fontes informaram, numa tentativa de preservar talentos sem manter um custo fixo elevado naquele mercado. O movimento reflete uma tendência de reavaliação da presença internacional entre gestoras que buscam eficiência operacional.
Contexto histórico e ativos sob gestão
A SPX foi fundada em 2010 por Rogério Xavier, Bruno Pandolfi e Daniel Schneider. No fim de abril, a gestora declarava cerca de R$ 54,7 bilhões sob gestão, segundo informações divulgadas em seu site. Essa escala confere relevância às decisões tomadas agora: mudanças na liderança e no desenho de risco têm potencial de repercutir tanto na base de investidores quanto no posicionamento competitivo frente a outros players do mercado de investimentos e fundos multimercado.
Em resumo, a reorganização da SPX Capital combina cortes operacionais, realocação geográfica e alteração de responsabilidades na gestão com o objetivo declarado de recuperar performance e reduzir custos. A saída de sócios e o reposicionamento estratégico serão acompanhados de perto por clientes e concorrentes, que avaliarão se a nova configuração conseguirá reverter os resultados recentes e restabelecer a competitividade da gestora no mercado de multimercados.
