in

Redata: relator estabelece obrigação de fornecimento efetivo de processamento de dados

A designação do deputado Aguinaldo Ribeiro como relator do projeto do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) trouxe definições relevantes ao texto que busca atrair investimentos em infraestrutura digital. A nomeação, feita na Câmara dos Deputados pelo presidente Hugo Motta, ocorreu no contexto da votação apressada do projeto: o tema teve destaque em sessão que aconteceu em 24/02/e avançou em trâmite com urgência.

Além de consolidar benefícios fiscais, o relator incluiu uma condição operacional conhecida como fornecimento efetivo — isto é, a exigência de que centros de processamento de dados disponibilizem capacidade real de processamento para o mercado interno, e não apenas benefícios formais no papel.

A mudança altera o critério de habilitação originalmente previsto no texto-base.

O que é o Redata e quais incentivos ele prevê

O Redata foi formulado para incentivar a instalação e expansão de datacenters no país por meio de renúncias fiscais direcionadas a equipamentos de Tecnologia da Informação e Comunicação. Entre os benefícios apontados no projeto estão isenções de tributos como PIS/Pasep, Cofins e IPI sobre a compra de máquinas e equipamentos destinados a esses centros, sejam eles importados ou produzidos no Brasil.

O objetivo declarado é posicionar o Brasil de maneira mais competitiva na disputa global por investimentos em infraestrutura digital, reduzindo custos iniciais para empresas que montam instalações de grande escala, como as mantidas por grandes provedores internacionais.

Alteração introduzida pelo relator: fornecimento efetivo

Na versão inicial do projeto havia um parâmetro percentual para a liberação dos incentivos; o relator, porém, substituiu esse critério por uma cláusula que exige fornecimento efetivo de processamento de dados ao mercado interno. Em termos práticos, a mudança busca assegurar que benefícios fiscais resultem em atividade econômica concreta e não apenas em capacidade ociosa ou destinada exclusivamente ao tráfego internacional.

Motivação e impacto prático

A exigência visa a evitar distorções: sem essa salvaguarda, há risco de que centros beneficiados concentrem recursos para atender apenas operações externas, minimizando o impacto local em termos de serviços e empregos. Ao condicionar a habilitação ao atendimento efetivo da demanda doméstica, o texto pretende alinhar a renúncia fiscal com retorno econômico nacional.

Como será verificada a oferta de capacidade

O projeto deixa espaço para regulamentação específica sobre as métricas e mecanismos de comprovação do fornecimento efetivo. A fiscalização poderá exigir relatórios de desempenho, registros de tráfego ou outros indicadores técnicos que mostrem a efetiva disponibilização de processamento para clientes e operadores no Brasil.

Estimativa de custo fiscal e horizonte temporal

Estimativas preliminares associadas ao Redata apontavam um impacto fiscal significativo—com projeções de renúncia próximas a R$ 7 bilhões ao longo de três anos, concentradas em. Segundo levantamentos citados em debates públicos, o efeito poderia alcançar cerca de R$ 5,2 bilhões já no primeiro ano de aplicação, com redução gradual em e à medida que mudanças tributárias previstas na reforma entram em vigor.

O texto do relator não altera a lógica de curto prazo dos custos, mas o acréscimo da condição operacional aumenta a possibilidade de que os benefícios gerem contrapartidas mais bem mensuradas para a economia nacional, reduzindo perdas associadas a incentivos sem retorno prático.

Contexto político e próximos passos

A proposta do Redata chegou ao Congresso inicialmente por meio de uma medida provisória e foi apresentada, na Câmara, por iniciativa do líder do governo, deputado José Guimarães. Com a designação de Aguinaldo Ribeiro como relator e a tramitação com urgência, o projeto ganhou prioridade no plenário da Câmara em 24/02/, precisando ainda passar pelo Senado para efetivar as alterações.

Se aprovado, o regime deverá ser regulamentado por normas complementares que definirão padrões técnicos, prazos de vigência das isenções e regras de comprovação do fornecimento efetivo. O texto final também terá de conciliar interesses do setor produtivo, do governo e das administrações fiscais para garantir implementação eficiente.

Em síntese, a inédita combinação entre incentivos fiscais e compromisso de oferta de serviços domesticos pretende transformar o Redata em um instrumento que atraia investimentos sem abrir mão da entrega de benefícios concretos à economia brasileira.

isencao fiscal para asics de bitcoin e estendida ate 31 de janeiro de 2028 1771973692

Isenção fiscal para ASICs de bitcoin é estendida até 31 de janeiro de 2028