Na quarta-feira (4), foi cumprida uma medida determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que resultou na prisão de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido publicamente como Sicário. Segundo as autoridades, Mourão teria chefiado um grupo responsável pela coleta de informações sobre pessoas consideradas adversárias do Banco Master, além de estar envolvido em investigações paralelas por movimentações financeiras atípicas.
As apurações envolvendo Mourão reúnem elementos sobre atuação em um grupo de comunicação, operações financeiras e supostas tentativas de obstrução de investigação.
A narrativa dos inquéritos combina comunicações interceptadas, análise de aparelhos apreendidos e movimentações bancárias que chamaram atenção de autoridades estaduais e federais.
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O papel de ‘A Turma’ e as acusações de vigilância
A Polícia Federal identificou um grupo de WhatsApp chamado “A Turma” como canal usado para coordenar atividades de vigilância, obtenção de dados e intimidação de alvos do grupo ligado ao Banco Master. Nas mensagens, Mourão aparece com o nome de contato “Felipe Mourão” e o apelido Sicário, sendo apontado como coordenador das ações de monitoramento.
De acordo com a decisão que autorizou novas fases da Operação Compliance Zero, o grupo teria combinado desde a obtenção de informações sigilosas até a neutralização de pessoas consideradas sensíveis aos interesses dos investigados. O relatório da investigação descreve que Mourão mantinha relação direta com outros suspeitos, executando tarefas de coleta e gerenciamento dos serviços prestados.
Mensagens e suposta tentativa de intimidação à imprensa
Um dos trechos citados pelo magistrado inclui indícios de que teria havido ordem para forjar um assalto ou criar um cenário similar visando prejudicar o colunista Lauro Jardim, do O GLOBO. Segundo a decisão, a intenção era, por meio do episódio, calar a voz da imprensa que criticasse interesses privados dos investigados, o que motivou repúdio público do veículo afetado.
Investigações em Minas Gerais: pirâmide e lavagem
Paralelamente às apurações federais, Mourão responde desde 2026 a ação do Ministério Público de Minas Gerais que o acusa de integrar esquema de pirâmide financeira, além de suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa. O MP aponta que, entre junho de 2018 e julho de 2026, aproximadamente R$ 28 milhões foram movimentados em contas vinculadas a empresas ligadas a ele.
No relatório do MP mineiro, a prática de triangulação de valores por meio de pessoas jurídicas é descrita como operação típica de ocultação de recursos provenientes de delitos contra a economia popular. A investigação também relata que Mourão teria atuado como agiota antes de integrar o suposto esquema e que a análise de dispositivos apreendidos reforçou seu papel de liderança.
Prova digital e alegações de conhecimento prévio das investigações
Laudos extraídos do celular apreendido do investigado apontam conteúdo que, segundo a polícia, corrobora a coordenação das atividades ilícitas, mesmo diante de tentativas de exclusão de conversas. O relatório da inteligência policial sugere que Mourão teve conhecimento antecipado sobre as apurações, o que teria facilitado movimentações para ocultar evidências, como a exclusão parcial de mensagens e a posse de imagens de documentos judiciais.
Defesa, controvérsias e medidas legais
A defesa de Mourão argumenta que diversas provas foram obtidas sem a necessária autorização judicial, mencionando supostas diligências do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) junto a instituições financeiras sem ordem judicial formal para quebra de sigilo. Os advogados também apontam que as atividades comerciais do cliente, incluindo compra e venda de veículos, teriam justificativa lícita e lastro para parte das transações.
Em mandados cumpridos durante a ação, as forças policiais também localizaram uma arma no endereço do acusado, informação que integra as apurações. Até o fechamento desta reportagem, não havia contato estabelecido com os defensores do investigado para comentários adicionais.
Perspectivas e próximos passos
O caso segue em desenvolvimento nas esferas federal e estadual, com novas diligências e análise de provas digitais e financeiras. A conjunção de indícios sobre monitoramento, pirâmide financeira e suposta tentativa de intimidar imprensa torna o processo complexo e com desdobramentos que podem incluir novas fases da operação e eventuais medidas cautelares.
