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Queda no volume e domínio da Binance: o que os relatórios mostram

Dois levantamentos independentes, um da CryptoQuant e outro da Coinglass, traçam um cenário semelhante: o mercado centralizado de criptomoedas experimentou uma retração significativa no último período analisado, mas a Binance mantém uma posição de destaque. Segundo a CryptoQuant, o total de negociações caiu 48% em março quando comparado ao pico de outubro de 2026, e os dados da Coinglass no 1º trimestre de 2026 reforçam a predominância da corretora em várias métricas operacionais.

Embora os números absolutos e as metodologias variem entre os relatórios, a conclusão converge: os derivativos continuam sendo o motor das exchanges e a Binance lidera tanto no mercado spot quanto em contratos de futuros. Essas constatações ajudam a entender por que grandes players ainda escolhem plataformas com maior liquidez e maior volume de ativos sob custódia.

Queda geral e predominância dos derivativos

A CryptoQuant destaca que, em março, o mercado de perpétuos teve um volume aproximadamente quatro vezes maior do que o mercado spot — cerca de US$ 3,5 trilhões frente a US$ 818 bilhões. Em termos acumulados para 2026, a reportagem também menciona que os perpétuos totalizaram cerca de US$ 4,5 trilhões, evidenciando que os contratos sem vencimento seguem sendo a principal fonte de liquidez, descobrimento de preço e receita para as exchanges. A prevalência dos perpétuos (contratos que permitem alavancagem sem data de expiração) explica por que movimentos especulativos impactam tanto o volume agregado das plataformas.

Posicionamento das exchanges: quem ganhou e quem ficou para trás

Nos rankings por volume spot apresentados pela CryptoQuant, a Binance aparece com cerca de 31,2% de participação, seguida por corretoras como Bybit (7,6%), Gate (7%), HTX (7%) e Coinbase (6,7%). Em derivativos, a liderança da Binance sobe para aproximadamente 38,9%, com OKX (20%) e Bybit (13,6%) vindo em seguida. Já o levantamento da Coinglass para o 1º trimestre de 2026 traz números ligeiramente diferentes, mas a conclusão é a mesma: a Binance dominou volume spot e de derivativos, além de liderar em liquidez e em ativos sob custódia.

Liquidez e custódia: por que essas métricas importam

A Coinglass chama atenção para a profundidade de mercado como indicador-chave: a profundidade de liquidez mostra a capacidade real de uma exchange executar ordens grandes sem impactar significativamente o preço. No 1º trimestre de 2026, a Binance também apareceu no topo em liquidez e em ativos sob custódia, com médias diárias que a colocaram como líder em retenção de capital de clientes — cerca de US$ 152,9 bilhões em ativos sob custódia, o que representa uma fatia estimada de 73,5% entre as maiores plataformas. Essa combinação de liquidez e custódia tende a atrair investidores institucionais que procuram execução eficiente.

Bitcoin e a redução do apetite por negociações

Um fator relevante para a queda geral de volumes é a faixa de negociação do Bitcoin, que esteve em uma amplitude relativamente estreita entre US$ 60.000 e US$ 76.000 desde o início de fevereiro, segundo as análises citadas. Essa lateralização reduz oportunidades para rotatividade intensa entre traders, diminuindo o fluxo de ordens tanto no spot quanto nos mercados alavancados. Enquanto alguns participantes acumulam na faixa vigente, outros aguardam sinais mais claros de tendência; na prática, a negociação tende a acelerar novamente apenas quando o mercado definir uma direção mais nítida.

Conclusão e perspectivas

Mesmo com uma retração expressiva no volume agregado — reflexo do esfriamento após o pico de outubro de 2026 —, os relatórios da CryptoQuant e da Coinglass mostram que a Binance segue como a principal infraestrutura do mercado, apoiada por maior profundidade de liquidez e por volumosos ativos sob custódia. Para o setor, resta observar se a retomada de volatilidade em ativos como o Bitcoin reavivará os volumes de negociação, ou se a tendência de concentração de capital e liquidez em líderes consolidados continuará moldando a dinâmica das exchanges.

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