O paladar não mente: mesmo no mundo cripto, a sensação de risco se percebe no imediato. Na manhã desta terça-feira, a stablecoin USD1, emitida pela World Liberty Financial (WLFI), negociou-se temporariamente abaixo de US$ 1, gerando preocupação entre investidores e operadores do mercado.
Quem: a emissora é a World Liberty Financial, empreendimento associado a membros da família Trump e outros cofundadores. O quê: queda momentânea da USD1 para cerca de US$ 0,98. Quando: por volta das 10h15 (horário de Brasília). Onde: observado em plataformas como TradingView e na Binance. Por quê: a empresa atribui o evento a um ataque coordenado combinado com campanhas de desinformação e operações vendidas sobre o token WLFI.
O episódio em números e movimento
Monitoramentos públicos registraram a ruptura da paridade por volta das 10h15. Em minutos, a volatilidade atingiu também o token WLFI, que perdeu cerca de 8,2% num intervalo curto. Em seguida, a USD1 retornou próxima da paridade, estabilizando em torno de US$ 0,999 algumas horas depois.
Acusações do projeto e resposta técnica
A World Liberty classificou o incidente como resultado de três vetores conjugados: comprometimento de contas de cofundadores, pagamento a influenciadores para espalhar FUD (medo, incerteza e dúvida) e construção de posições vendidas para lucrar com a queda. A equipe afirma que as áreas de engenharia e segurança repeliram as ações maliciosas.
Como o mecanismo de resgate agiu
O projeto credita a contenção da desvalorização ao mecanismo de emissão e resgate que garante conversão 1:1 entre USD1 e dólar. A custódia das reservas por parte da BitGo e o lastro declarado em títulos do Tesouro americano de curto prazo teriam reforçado a confiança e limitado a amplitude do choque.
Impacto reputacional e narrativa pública
O episódio reacende dúvidas sobre confiança e governança em stablecoins com vínculos políticos e grande capitalização. Com valor de mercado estimado entre US$ 4,8 e 5 bilhões, a USD1 já figura entre as maiores stablecoins lastreadas em dólar. A World Liberty pediu que usuários consultem apenas canais oficiais para evitar danos provocados por desinformação.
O que os investidores devem observar
Que lições ficam? Primeiro, stablecoins são sensíveis a choques de confiança mesmo quando lastreadas por títulos do Tesouro dos EUA. Segundo, mecanismos de resgate claros e custódia independente podem mitigar, mas não eliminar, desvios momentâneos causados por liquidez ou ataques coordenados.
Analistas recomendam atenção a auditorias independentes, transparência sobre reservas e controles de segurança. O mercado seguirá atento a repercussões e a eventuais medidas regulatórias sobre emissão de stablecoins e custódia de ativos.
Por fim, como chef e observadora de cadeias de valor, lembro: atrás de cada produto há uma história. Aqui, a história combina tecnologia financeira, política e comunicação de crise. O próximo capítulo a vigiar será a divulgação de auditorias e relatórios de reservas por parte da WLFI.
