O ouro encerrou o pregão em leve queda, pressionado por uma combinação de fatores geopolíticos e sinalizações de política monetária. De um lado, o ultimato entre EUA e Irã adicionou volatilidade às expectativas de risco; de outro, a publicação da ata do Federal Reserve (Fed) reforçou que alguns membros consideram necessário manter uma postura monetária mais rígida se a inflação não recuar.
Enquanto isso, investidores se mantêm cautelosos aguardando leituras macroeconômicas relevantes dos Estados Unidos, incluindo dados de PIB e do PCE, que podem redefinir projeções sobre a trajetória de juros e, por consequência, sobre a atratividade do ouro como porto seguro.
Por que o ouro recuou
O recuo do metal não foi dramático, mas refletiu duas forças simultâneas. Em primeiro plano, as declarações e movimentações diplomáticas entre EUA e Irã elevaram a aversão ao risco em alguns momentos, embora não tenham se traduzido em um salto consistente da demanda por ativos seguros. Em segundo lugar, a ata do Fed apontou que participantes do comitê monetário consideraram a possibilidade de elevar novamente as taxas caso a inflação mostre resiliência — um sinal que tende a favorecer ativos com rendimento em detrimento do ouro.
Impacto da ata do Fed
A ata delineou que houve debate interno sobre a necessidade de manter a política mais restritiva, caso os indicadores de inflação não cedam. Esse tom mais hawkish aumentou a probabilidade de juros mais elevados por mais tempo, reduzindo o apelo por investimentos sem rendimento como o ouro. Analistas passaram a precificar um cenário em que o custo de oportunidade de manter ouro aumenta.
Fatores externos e agenda de dados
Além da política monetária, a agenda econômica norte-americana — com destaque para o PIB e o índice de preços pessoais (o PCE, referência do Fed) — mantém operadores em compasso de espera. Leituras mais fortes de atividade e preços podem reforçar a narrativa de juros altos, pressionando novamente o preço do metal. Por outro lado, números fracos poderiam reabrir espaço para uma recuperação do ouro.
Eventos e indicadores no radar
Entre os dados que influenciam os mercados nos próximos dias estão os pedidos iniciais de auxílio-desemprego, a balança comercial dos EUA e as vendas pendentes de imóveis. Além disso, os estoques de petróleo reportados pelo DoE e a confiança do consumidor na Europa também compõem o cenário que pode afetar fluxos para commodities e ativos de risco.
Geopolítica e reações do mercado
As notícias relativas a um possível confronto mais amplo no Oriente Médio, envolvendo EUA e Irã, criaram picos de incerteza. Fontes de imprensa e autoridades indicaram que as Forças Armadas dos Estados Unidos mantêm contingentes posicionados na região, e que conversações diplomáticas tentam evitar uma escalada. Esse quadro geopolítico pressionou preços de petróleo e também influenciou movimentos no mercado de metais.
Apesar do aumento momentâneo do apetite por segurança, o ouro não registrou uma fuga pronunciada para ativos seguros, em parte porque a leitura da ata do Fed prevaleceu nos cálculos de investidores institucionais que ponderam retorno real e custos de manutenção de posição.
Perspectivas e posicionamento
Operadores monitoram discursos de membros do Fed, que podem complementar ou moderar o tom da ata. A sequência de falas públicas de dirigentes do banco central tende a oferecer pistas sobre a duração da política monetária mais dura. No front geopolítico, qualquer escalada entre EUA e Irã poderia reavaliar rapidamente o preço do metal.
Para quem acompanha o mercado de metais, o cenário atual exige atenção a três vetores: 1) leitura dos dados macro dos EUA (especialmente PIB e PCE), 2) comentários e decisões do Fed, e 3) evolução das tensões no Oriente Médio. Movimentos significativos em qualquer um desses pontos podem provocar mudanças bruscas na direção do preço do ouro.
