Em 17/02/, os mercados de commodities reagiram de forma acentuada após notícias de progresso nas conversas entre EUA e Irã. O desenvolvimento reduziu a percepção de risco no Oriente Médio e mexeu com preços-chave, como petróleo e platina.
Quem opera no mercado sentiu imediatamente a combinação de fatores geopolíticos, técnicos e de liquidez.
Os preços refletiram dados de oferta e procura e o sentimento dos investidores. A Agência Internacional de Energia (AIE) sinalizou recuperação da oferta nos próximos meses. Ao mesmo tempo, mesas de operações calibravam expectativas de cortes de juros do Fed mais adiante em, o que altera custo de financiamento e apetite por risco.
Como as negociações entre EUA e Irã moveram o petróleo
O avanço diplomático reduziu parte do ágio que vinha sustentando o mercado energético. Na sessão, o WTI para março fechou a US$ 62,84 por barril, queda cerca de 2,85%. O Brent para abril recuou para US$ 67,52, baixa aproximada de 2,71%. Os números mostram que operadores precificaram maior probabilidade de acordo.
A pressão sobre cotações não se explicou apenas por menores riscos geopolíticos. A AIE revisou projeções após redução de produção em janeiro, atribuída a eventos climáticos e restrições de exportação. Resultado: mercado pondera oferta mais elástica e menor prêmio por interrupções, levando a correções de curto prazo.
Platina: queda técnica em mercado com pouca liquidez
Os futuros de platina caíram até cerca de US$ 2.000 por onça, mínima de dois meses. O movimento teve componente técnico e foi amplificado por feriados em praças-chave da Ásia e dos EUA. Liquidez reduzida elevou a volatilidade intradiária e acelerou o ajuste.
Fatores de oferta e procura
Interrupções na África do Sul ainda afetam produção, mas estoques acima do solo e reciclagem moderam a pressão sobre a oferta. Do lado da procura, mudanças regulatórias na União Europeia para automóveis e a transição para veículos elétricos mantêm a demanda por catalisadores em ritmo contido.
Influência das expectativas macro
A desaceleração da inflação nos EUA reforçou a ideia de cortes de juros pelo Fed em, favorecendo ativos de risco. Contudo, mercados aguardam dados adicionais e as atas do banco central, o que limitou apoio imediato aos metais preciosos.
O que os investidores devem observar
Quais sinais podem inverter ou confirmar os movimentos recentes? Operadores e gestores devem acompanhar, em primeiro lugar, o tom e o avanço das negociações entre EUA e Irã. Em segundo, novos relatórios da AIE sobre oferta global. Em terceiro, indicadores macro dos EUA que afetem o calendário de cortes do Fed.
Adicionalmente, oscilações de liquidez nas praças asiáticas e relatórios de produção na África do Sul podem reaquecer a pressão sobre a platina. Quem investe em commodities deve equilibrar visão de médio prazo sobre oferta com sinais de curto prazo vindos das mesas de negociação e dos bancos centrais.
No mercado, a máxima vale sempre: location, location, location — ou, no caso das commodities, oferta, oferta, oferta. Os dados de compravenda mostram que ajustes rápidos seguem possíveis enquanto as negociações diplomáticas e as decisões macroeconómicas permanecerem no centro do palco. O próximo movimento dependerá, sobretudo, das atas do Fed e de atualizações da AIE.
