O principal índice da bolsa brasileira teve um dia de extremos: Ibovespa chegou a romper a barreira dos 191 mil pontos em movimento de alta intradiária, mas reverteu o ganho e fechou em queda de 0,88%, aos 188.853,49 pontos no pregão de 23/02/. O ambiente foi marcado pela combinação de realização de lucros local e aumento da aversão ao risco no exterior.
O volume financeiro negociado no dia foi relevante: o fluxo no índice ficou em cerca de R$ 22,7 bilhões, enquanto o montante total na B3 atingiu aproximadamente R$ 31,6 bilhões.
Essas cifras ajudam a dimensionar a intensidade das operações que levaram ao ajuste após o pico intradiário.
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Por que o índice perdeu força após a máxima intradiária
Na primeira metade do pregão, o Ibovespa beneficiou-se de uma recuperação generalizada das commodities e de expectativas favoráveis vindas de sessões anteriores. Ainda assim, a tranquilidade durou pouco: a abertura mais fraca das bolsas em Nova York e notícias sobre medidas tarifárias nos Estados Unidos alteraram o humor dos investidores. Em especial, a elevação das tarifas de importação de 10% para 15% alimentou temores de escalada nas tensões comerciais.
Impacto das incertezas externas
A tensão comercial e o receio sobre cenários geopolíticos elevaram a volatilidade global, o que se refletiu no fluxo de capital para ativos considerados menos arriscados. Esse movimento externo foi o principal catalisador para a rotação setorial observada no pregão, ampliando vendas em papéis cíclicos e financeiros.
Setores que se destacaram no pregão
As ações de bancos tiveram desempenho negativo em bloco e foram o maior peso na perda do índice, com quedas expressivas que aceleraram a realização de lucros. Em contrapartida, empresas de commodities como Petrobras e Vale registraram avanço e ajudaram a atenuar o recuo do Ibovespa. Especificamente, as preferenciais da Petrobras (PETR4) subiram cerca de 1,63%, cotadas a R$ 38,59, enquanto outras classes de ação da petroleira também registraram ganhos na casa de ~1,95%. A Vale avançou aproximadamente 0,67%.
Movimentos relevantes por ação
Dentre as maiores altas do dia, destaque para empresas de energia e setores ligados ao processamento industrial que se beneficiaram do comportamento das commodities e de resultados corporativos locais. Por outro lado, papéis como Santander e outros bancos registraram recuos de múltiplos porcentuais, pressionando o índice. Episódios específicos, como vendas significativas de gestoras em determinados ativos, também contribuíram para a volatilidade observada em nomes como Smart Fit.
Moeda e contexto macro
No mercado de câmbio, o dólar à vista firmou trajetória de leve baixa, encerrando o dia cotado a R$ 5,1686, queda de cerca de 0,14%. A retração da moeda norte-americana refletiu parte do clima global de ajuste momentâneo e da busca por referências antes de novos desdobramentos nas políticas tarifárias. O índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas, também marcou queda sazonalmente modesta, reforçando o movimento.
O que observar nos próximos pregões
Investidores devem acompanhar de perto a evolução das negociações comerciais internacionais, comunicados de empresas com grande peso no índice e dados macroeconômicos que possam influenciar expectativas de juros nos Estados Unidos. A combinação de realização de lucros após ralis recentes e novos sinais de incerteza geopolítica pode manter a volatilidade elevada.
A liquidez e o volume negociado indicam que os investidores estiveram ativos, ajustando posições diante do cenário de curto prazo.

