Menu
in

Queda do dólar frente ao real com influência de cessar‑fogo e indicadores de inflação

O cenário cambial doméstico mostrou-se mais favorável nesta sexta‑feira (10), quando o dólar passou a operar em queda contra o real, refletindo um movimento de mercado global que respondeu com otimismo a sinais de cessar‑fogo entre atores internacionais.

Esse sentimento externo beneficiou moedas de países emergentes, e o fluxo por aqui acompanhou a melhora do apetite por risco. Analistas destacam que, além da geopolítica, a leitura de indicadores de preços tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos ajudou a moldar as expectativas sobre juros e cópias do câmbio.

Cotação e leitura imediata do mercado

Às 14h26, o dólar à vista registrou baixa de 0,75%, cotado a R$ 5,025 na venda, segundo dados do mercado. Na sessão anterior, a moeda já havia fechado em queda de 0,80%, a R$ 5,0626, marcando o menor fechamento desde abril de 2026. Esse recuo foi impulsionado por notícias sobre um possível acordo que facilitaria a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego de petroleiros, reduzindo o prêmio de risco ligado ao avanço dos preços de energia. No mercado de balcão, o dólar comercial era negociado em compra a R$ 5,025 e venda a R$ 5,026, refletindo a mesma tendência de acomodação.

Inflação doméstica e efeitos sobre a política monetária

O indicador oficial de inflação no Brasil, o IPCA, subiu 0,88% em março sobre fevereiro, e acumulou alta de 4,14% na comparação anual. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo veio um pouco acima das projeções consultadas pela Reuters, que apontavam para 0,77% no mês e 4,0% em 12 meses. Esses números reforçam a ideia de que pressões de custos vindas de commodities e insumos ainda têm impacto, embora o quadro não seja de descontrole generalizado.

Expectativas para a taxa básica

Na avaliação de Claudia Moreno, economista do C6 Bank, a combinação entre aceleração recente de preços e custos produtivos indica que o Banco Central deve adotar um ritmo mais cauteloso nas reduções de juros. Moreno projeta um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, programada para o final do mês, o que deixaria a taxa em torno de 14,5%. Para investidores, esse sinal de moderação nas flexibilizações da política monetária é relevante para calibrar posições em renda fixa e câmbio.

Indicadores internacionais e leitura técnica

Nos Estados Unidos, o CPIíndice de preços ao consumidor — subiu 0,9% em março na comparação mensal, com variação anual de 3,3%, em linha com as estimativas de economistas consultados pela Reuters. Esses números reforçam uma visão de inflação que segue em trajetória de desaceleração, mas ainda presente em níveis que exigem atenção por parte dos bancos centrais globais. A combinação de dados norte‑americanos e leitura doméstica ajuda a explicar por que moedas de mercados emergentes se fortalecem quando a percepção de risco sistêmico diminui.

Visão de mercado

Para Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, os indicadores mostram que, apesar de choques externos nas commodities, a inflação permanece relativamente controlada. Lobo observa sinais de deflação em segmentos específicos, como cuidados médicos e veículos usados, o que contrabalança pressões em outros setores. Esse mix de leituras facilita a manutenção de um ambiente onde a redução gradual de taxas é contemplada pelos agentes, ainda que de forma mais lenta do que o mercado esperava há alguns meses.

Geopolítica e impacto sobre petróleo e câmbio

A situação no Oriente Médio continua sendo uma variável-chave para a dinâmica cambial. O Irã citou ataques contínuos de Israel ao Líbano como um dos principais entraves para avançar em um acordo de cessar‑fogo com os Estados Unidos, que, por sua vez, condicionam a trégua à reabertura do Estreito de Ormuz. A expectativa pela retomada do tráfego de petroleiros influenciou a queda do prêmio de risco e, por consequência, aliviou parte da pressão sobre o dólar. Delegações de Teerã e Washington têm agenda de conversas no Paquistão no sábado, movimento que o mercado acompanha de perto em busca de clareza sobre prazos e condições do acordo.

Em síntese, a combinação entre melhora no humor internacional, leituras mistas de inflação no Brasil e nos EUA e a perspectiva de negociações diplomáticas no Oriente Médio formou um contexto que favoreceu a desvalorização do dólar ante o real nesta sessão. A continuidade desse movimento dependerá tanto de avanços concretos nas conversações geopolíticas quanto da evolução dos indicadores de preços nas próximas semanas. (Com Reuters)

Sair da versão mobile