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Queda do Bitcoin após Trump propor tarifas de 15% aumenta aversão ao risco

Na manhã de 23 de fevereiro de 2026, os mercados cripto registraram uma forte reação negativa depois que o presidente dos Estados Unidos anunciou intenção de elevar tarifas de importação para até 15% globalmente. O Bitcoin chegou a recuar mais de 5%, voltando a ser negociado abaixo dos US$ 65.000, em uma sessão marcada por elevada volatilidade e aumento do sentimento de aversão ao risco.

O movimento se deu em paralelo à alta das bolsas asiáticas no início do pregão, destacando uma divergência entre ativos digitais e mercados acionários tradicionais.

Além disso, fatores geopolíticos — como o aumento da presença militar americana nas proximidades do Irã — complicaram o cenário, reforçando a percepção de risco por parte dos investidores.

Por que o bitcoin recuou

Analistas atribuem a queda a uma combinação de elementos. Para Markus Thielen, chefe de pesquisa da 10x Research, o declínio recente não decorre de um único gatilho, mas sim da confluência entre baixa liquidez e baixa convicção institucional. Esse conjunto favorece movimentos mais amplos quando surgem notícias macroeconômicas ou políticas.

Impacto das tarifas e do cenário político

O aumento proposto nas tarifas gera receio de desaceleração do comércio global e de efeitos colaterais na atividade econômica. Segundo fontes do mercado, essa percepção tem levado investidores a reduzir exposição a ativos considerados voláteis, como as criptomoedas, e a buscar alternativas percebidas como mais estáveis.

Risco geopolítico

Complementando o quadro, a escalada de operações militares dos EUA perto do Irã e a indicação de que o presidente poderia decidir sobre possíveis ataques dentro de dez dias adicionaram incerteza. A possibilidade de um conflito regional que interrompa fluxos comerciais aumenta a aversão ao risco e tende a impactar mercados sensíveis à liquidez.

Movimentação entre ativos e comportamento dos investidores

Em contraste com as perdas em cripto, o ouro físico avançou mais de 1% no mercado à vista, reforçando a tendência de migração para ativos tradicionais em momentos de tensão. O Ethereum acompanhou a queda do Bitcoin, recuando cerca de 3%–4% e sendo negociado abaixo de US$ 1.900.

Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, relacionou a fraqueza do Bitcoin ao ciclo recorrente de quatro anos que o mercado cripto costuma seguir. Em períodos de correção, investidores frequentemente realocam capital para ouro ou ações de tecnologia, esperando maior clareza sobre o panorama macro antes de voltar a posições mais arriscadas.

O papel das ETFs e dos formadores de mercado

Apesar da queda acentuada desde o pico de US$ 125.000 em outubro, os ETFs de Bitcoin listados nos EUA ainda mantêm elevada quantidade de ativos sob gestão — cerca de US$ 85 bilhões — com saídas líquidas relativamente pequenas, na ordem de US$ 8,5 bilhões. Analistas como Thielen apontam que grande parcela dessa exposição é mantida por market makers e fundos de arbitragem, que operam posições protegidas e, portanto, não representam apostadores direcionalmente otimistas no ativo.

Essa estrutura implica que o saldo elevado nas ETFs não traduz necessariamente confiança de longo prazo; muitas vezes reflete operações de liquidez e estratégias hedged que podem ser reduzidas rapidamente quando a volatilidade aumenta, amplificando movimentos de preço.

Perspectivas e possíveis próximos passos

Especialistas esperam que a correção ainda tenha espaço para avançar antes de um fundo mais consistente. Thielen menciona a possibilidade de o Bitcoin testar níveis próximos a US$ 50.000 antes de formar uma base mais duradoura, cenário condicionado à evolução das tensões comerciais, do ambiente político dos EUA — inclusive as eleições de meio de mandato — e ao comportamento das reservas e fluxos institucionais.

Enquanto isso, os investidores monitoram indicadores de liquidez e posições de arbitragem nas ETFs, além de eventos geopolíticos que possam redefinir o apetite por risco. O registro de um piso temporário em US$ 63.119 em 5 de fevereiro já sinalizou a amplitude da correção iniciada no último trimestre, mas não garante que a volatilidade tenha terminado.

A observação atenta dos fluxos para ETFs, das ações dos market makers e dos desdobramentos geopolíticos será essencial para avaliar se a atual fase é apenas uma correção temporária ou o começo de uma retração mais profunda.

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