O preço do bitcoin sofreu nova pressão e recuou para cerca de US$ 62 mil. O movimento, observado na terça-feira (24), foi precedido por uma rodada de liquidações atribuída a gestoras de ETFs que, segundo relatórios, têm operado sob um sentimento de medo extremo no curto prazo. Na segunda-feira (23) foram registradas liquidações que somaram aproximadamente US$ 133 milhões, marcando a quinta semana seguida de vendas por parte dessas instituições.
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Pressão vendedora e zona psicológica
A sucessão de vendas fez com que a cotação voltasse a se aproximar da chamada zona psicológica dos US$ 60 mil, um patamar que costuma atrair atenção tanto de investidores quanto de analistas. Em 2026, o ativo acumulou uma retração próxima de 27%, levando operadores a questionar se o movimento é uma correção técnica comum ou o início de um processo de consolidação mais profundo. O comportamento recente reforça a ideia de que a participação de grandes gestores institucionais pode amplificar a volatilidade do mercado spot.
Análise técnica e custo de produção
O analista conhecido como Rekt Fencer, com ampla base de seguidores na plataforma X, divulgou comentários e um gráfico sugerindo que o bitcoin está sendo cotado próximas ao custo de produção dos mineradores. Em uma publicação no domingo (22) ele afirmou que é justamente nesse nível que costumam se formar fundos de ciclo significativos. A análise apresentada mostra a cotação oscilando em torno dessa linha de custo, com comportamento similar ao observado em indicadores como as Bandas de Bollinger, que registram compressões e expansões de volatilidade.
O papel dos mineradores
Historicamente, quando o preço se aproxima do custo de produção, muitos mineradores tendem a reduzir a venda de suas reservas e, por vezes, pausar operações até que a relação entre preço e custo melhore. Essa dinâmica pode criar um suporte natural, pois reduz a pressão vendedora de participantes que geram grande oferta. No gráfico do analista, pontos marcados com setas verdes indicam momentos anteriores em que esse comportamento coincidiu com um fundo de mercado.
Comparação com o ouro e padrão quadrienal
Além da análise baseada no custo de produção, Rekt Fencer também traçou uma comparação entre o desempenho do bitcoin e o do ouro. Segundo ele, há um padrão de janelas de quatro anos em que o bitcoin atingiu fundos relativos quando confrontado com o ouro: em 2014 houve um primeiro fundo, seguido por outro em 2018 e um terceiro em 2026. Na visão do analista, a mesma dinâmica estaria se repetindo agora em 2026, com o preço do bitcoin em relação ao ouro exibindo uma queda que poderia representar um fundo similar aos anteriores.
Implicações se o padrão se confirmar
Caso a série histórica se mantenha, a observação sugere a possibilidade de que o mercado esteja próximo de iniciar uma nova fase de valorização nos meses seguintes. Esse cenário dependeria, contudo, de fatores macro e institucionais, como recuperação do apetite por risco, comportamento das gestoras de ETFs e eventuais catalisadores de adoção ou fluxo. Não há garantia, e padrões passados não asseguram repetição futura, especialmente em ciclos que alguns analistas consideram atípicos.
Contexto do ciclo recente
Para situar a leitura, vale lembrar que o bitcoin alcançou uma máxima histórica em torno de US$ 126 mil em 2026, antes de sofrer a correção que se acentuou em 2026. Se as sinalizações técnicas e comparativas com o ouro estiverem corretas, a queda acumulada em 2026 e o recuo observado em fevereiro poderiam vir a ser interpretados como o ponto de ajuste após a alta expressiva do ano anterior. Ainda assim, operadores devem manter cautela e considerar gestão de risco.
Ao mesmo tempo, a incerteza de mercado e a singularidade do ciclo atual tornam essencial que investidores façam sua própria análise e considerem múltiplos cenários antes de tomar decisão.
