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Queda de preços e provisões marcam resultados de Tereos, Raízen, Assaí e outras empresas

Os últimos balanços divulgados por grandes players do setor agroindustrial e do varejo mostram um cenário de volatilidade: queda nos preços de commodities, ajustes contábeis e reavaliações operacionais têm influenciado lucro e caixa. Entre os destaques, a francesa Tereos registrou prejuízo decorrente de preços menores e redução de volumes no Brasil; a Raízen ampliou prejuízos durante a safra; e o Assaí apresentou queda no lucro do 4º trimestre de após provisões relevantes.

Além desses casos, outras companhias reportaram números que ajudam a mapear tendências do mercado brasileiro: a Vale divulgou resultado do 4T25 com impacto por baixas contábeis, o IRB reagiu com crescimento de lucro, a Jalles Machado voltou ao lucro, enquanto Vivo e B3 anunciaram movimentações relevantes em proventos e volumes negociados.

Tereos: impacto da queda de preços e redução de volumes

A Tereos informou que sofreu prejuízo influenciado pela redução dos preços do açúcar e pela diminuição dos volumes operacionais no Brasil. De acordo com a divulgação associada, a receita recuou 16% em relação ao ano anterior, chegando a €3,9 bilhões, enquanto o Ebitda teve retração de 57%. O comunicado sobre esse desempenho foi publicado em 18/02/às 13:45.

Esses números ilustram como variações de mercado em commodities agrícolas podem afetar rápidas e intensamente a geração operacional de caixa. Quando os preços internacionais caem e a atividade local sofre, margens e volumes tendem a se comprimir ao mesmo tempo.

Raízen e Vale: prejuízos e ajustes que moldam o setor

A Raízen reportou um aumento significativo no prejuízo líquido da safra /, atingindo cerca de R$15,65 bilhões, ante R$2,57 bilhões no mesmo período do ano anterior. O EBITDA ajustado caiu 3,3%, ficando em R$3,15 bilhões, e a companhia também comunicou alteração no perfil acionário com redução da participação do Wellington Management Group.

Vale: efeitos contábeis e proforma

A Vale divulgou seu resultado do 4º trimestre de com um prejuízo líquido atribuível aos acionistas de US$3,8 bilhões, pressionado por baixas contábeis. Em base proforma, que exclui efeitos relacionados a Brumadinho e itens não recorrentes, o lucro teria sido de US$1,4 bilhão. Analistas consultados pela LSEG esperavam um lucro maior, apontando para a influência relevante de ajustes pontuais.

Assaí: efeito de provisões, deflação de commodities e iniciativas de crescimento

O Assaí reportou lucro líquido de R$347 milhões no 4º trimestre de, uma queda de 26,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi impactado negativamente por uma provisão de R$521 milhões relativa a impairment da FIC, e positivamente por créditos extemporâneos de IRPJ/CSLL de R$75 milhões, além de R$121 milhões em créditos de subvenção registrados na linha de imposto de renda e contribuição social.

No trimestre, a receita líquida chegou a R$20,79 bilhões e a receita bruta do ano fechou em R$84,7 bilhões, avanço de 5,2%. O Ebitda ajustado trimestral foi R$1,3 bilhão (+1,2% no trimestre) e o Ebitda anual somou R$4,4 bilhões (+7,5% ano a ano). A empresa destacou redução de alavancagem para 2,56x e diminuição da dívida líquida em R$1,2 bilhão.

Estratégias para compensar pressão de preços

O Assaí atribuiu parte da queda de resultado à deflação de commodities, citando, por exemplo, redução de preço do arroz (-26,6% ao final de ). Em resposta, reforçou iniciativas comerciais e operacionais: expansão de serviços de açougue e fatiamento, maior oferta de proteínas, lançamento de parcerias digitais e canais de entrega. Entre as ações anunciadas estão parceria de fulfillment com o Mercado Livre para abastecimento de centros de distribuição e expansão do serviço de last mile via iFood, elevando lojas conectadas de 50 para 100 unidades.

Outros movimentos no radar

O IRB registrou lucro líquido de R$143 milhões no 4T25, um aumento de 27% na comparação anual, enquanto a Jalles Machado reverteu prejuízo com lucro de R$55,4 milhões no trimestre, apesar de queda no Ebitda. A Telefônica Brasil (Vivo) aprovou distribuição de Juros Sobre Capital Próprio de R$325 milhões e a B3 mostrou crescimento de 43,5% no volume financeiro médio negociado em ações em janeiro de, refletindo maior atividade do investidor no mercado.

O conjunto de resultados evidencia duas lições centrais: a sensibilidade das empresas às flutuações de preços de commodities e a importância de ajustes estruturais e parcerias estratégicas para preservar caixa e ampliar canais de venda. Para investidores e gestores, esses balanços trazem pistas sobre prioridades operacionais e riscos setoriais no horizonte próximo.