A manhã de 23/02/2026 trouxe volatilidade para a criptomoeda associada à família Trump: a World Liberty Financial (WLFI) divulgou nas redes sociais que sua stablecoin, a USD1, sofreu o que classificou como um ataque coordenado. Por volta das 10h15 (horário de Brasília), dados de plataformas de mercado indicaram que a moeda digital deixou de manter a tradicional paridade de 1:1 com o dólar americano. Esse episódio reacende debates sobre a resiliência das stablecoins e os mecanismos que sustentam sua estabilidade.
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O que aconteceu com a USD1
Segundo registros públicos de cotações, a USD1 apresentou queda abrupta frente ao dólar na manhã de 23/02/2026, rompendo a faixa de estabilidade esperada para esse tipo de ativo. A WLFI atribuiu o evento a operações simultâneas que teriam pressionado liquidez e ordens de mercado, descrevendo o ocorrido como um ataque coordenado. Em resposta inicial, representantes da empresa usaram canais oficiais para assegurar que medidas estavam sendo avaliadas para restaurar a paridade e investigar a origem dos fluxos que impulsionaram a desvalorização.
Por que a quebra de paridade é relevante
A perda de paridade em uma stablecoin tem efeitos práticos e simbólicos: na prática, afeta usuários que utilizam a moeda para pagamentos, poupança ou como ponte entre cripto e fiat; simbolicamente, coloca em xeque a confiança no modelo de lastro e governança adotado pelo emissor. A USD1 é gerida por uma entidade ligada a nomes de destaque, o que amplifica a atenção midiática e de mercado. Eventos desse tipo costumam aumentar a volatilidade em ativos relacionados e provocar questionamentos regulatórios.
Mecanismos de estabilização e riscos
As stablecoins podem adotar diferentes mecanismos de sustentação — desde reservas em moeda fiduciária até colaterais em criptoativos ou algoritmos de mercado. A eficácia desses mecanismos depende de transparência, liquidez e governança. No caso relatado, a WLFI não detalhou imediatamente todos os elementos do lastro da USD1, o que deixou investidores à espera de informações técnicas. A falta de dados precisos pode amplificar percepções de risco e acelerar movimentos de saída.
Reação do mercado e implicações
Ao perder a paridade, a USD1 gerou movimentos ativos em plataformas de negociação, com ordens de venda e arbitragem buscando explorar o descolamento. Exchanges e provedores de liquidez monitoram esse tipo de anomalia para proteger usuários e, em alguns casos, interromper negociações temporariamente. A WLFI afirmou que estava cooperando com corretoras e provedores de liquidez para mitigar a oscilação e identificar possíveis agentes por trás do suposto ataque.
Impactos regulatórios e reputacionais
Além do impacto técnico, eventos como esse tendem a atrair atenção de órgãos reguladores e a gerar discussões sobre supervisão. Quando stablecoins associadas a figuras públicas enfrentam problemas de confiança, o debate sobre requisitos de reserva, auditoria externa e regras de operação ganha força. Para a WLFI, recuperar a paridade também é uma questão reputacional, já que a percepção pública pode influenciar adoção e parcerias estratégicas futuras.
O que esperar a seguir
Nos próximos dias, o desenvolvimento do episódio dependerá de três fatores principais: a transparência das informações fornecidas pela WLFI sobre o lastro da USD1, as medidas práticas adotadas por exchanges e provedores de liquidez para restaurar mercado funcional, e os resultados das investigações sobre as alegadas operações coordenadas. Investidores e observadores do ecossistema de criptoativos deverão acompanhar comunicados oficiais, relatórios de auditoria e possíveis intervenções de autoridades.
Enquanto isso, o caso serve como alerta sobre a fragilidade que pode surgir quando confiança, liquidez e governança não caminham de forma robusta. A USD1 e sua emissora têm pela frente a tarefa de demonstrar mecanismos eficazes para reestabelecer a paridade e restaurar a confiança do mercado.
