O movimento conhecido como HALO trade — sigla para Heavy Assets, Low Obsolescence — tem ganhado destaque nas discussões sobre alocação de capital no Brasil. Após uma forte alta do Ibovespa nos meses recentes, parte do mercado tem olhado para setores com maior presença de infraestrutura e ativos tangíveis, que tendem a resistir melhor às mudanças trazidas pela inteligência artificial e outras transformações tecnológicas.
Essa abordagem não propõe abandonar completamente empresas de crescimento, mas sim diversificar a carteira privilegiando negócios com menor risco de obsolescência. Analistas usam critérios que combinam escassez de ativos físicos, exposição à automação e grau de proteção regulatória para montar uma lista de nomes com potencial de valorização dentro do conceito HALO.
O que é a estratégia HALO e por que importa
A estratégia HALO concentra-se em empresas que detêm bens físicos de difícil substituição — como concessões, reservas minerais, infraestrutura de transmissão e utilidades essenciais — e que apresentam baixa probabilidade de serem rapidamente substituídas por soluções digitais. Para fins práticos, o termo funciona como uma lente que privilegia segurança de fluxo de caixa e escassez de ativos, fatores valorizados em ciclos de incerteza tecnológica.
Critérios usados pelos analistas
Entre os filtros aplicados por casas de pesquisa estão: escassez de ativos físicos (quanto mais exclusivo, melhor), vulnerabilidade à desintermediação tecnológica, sensibilidade à adoção de IA e presença de mecanismos de proteção regulatória que limitem competição abrupta. Esses critérios ajudam a identificar empresas com maiores chances de manter margens e preços relativos, mesmo se setores tecnológicos recuperarem o ímpeto.
Setores e exemplos de nomes que atraem atenção
Os setores mais citados no contexto HALO incluem energia, utilities, infraestrutura e mineração. No caso brasileiro, analistas destacam empresas com concessões e ativos operacionais críticos, por fornecerem serviços essenciais ou possuírem reservas e instalações de difícil replicação. Esses papéis são vistos como alternativas defensivas em relação ao universo de tecnologia pura.
Empresas com perfil HALO
Entre as companhias apontadas nas análises públicas e relatórios de mercado estão nomes que combinam posição regulatória e ativos físicos relevantes. Essas empresas oferecem exposição a fluxos de caixa ligados a tarifas, contratos de longo prazo ou produção de commodities, que costumam ser menos sensíveis a ciclos de preferência por ações de software e semicondutores.
Riscos e limitações da abordagem
Embora a estratégia HALO ofereça uma alternativa de hedge contra a rápida valorização de tecnologia, ela não é isenta de riscos. O principal é o cenário em que a inteligência artificial e inovações em produtividade ampliem a vantagem competitiva do setor de tecnologia, revertendo fluxos de investimento e reduzindo o prêmio atribuído a ativos defensivos. Além disso, fatores macroeconômicos e alterações regulatórias também podem afetar a atratividade desses papéis.
Como integrar HALO na carteira
Investidores que consideram a tática HALO tendem a usá-la como parte de uma recalibragem de risco: mantendo exposição a ativos de crescimento, mas adicionando posições em empresas com baixa obsolescência para equilibrar volatilidade e potencial de retorno. A diversificação entre setores — energia, água, infraestrutura de transporte e mineração — costuma ser recomendada para reduzir riscos específicos.
Implicações práticas para alocação
No plano prático, a aplicação da estratégia envolve revisar múltiplos como preço sobre valor patrimonial, estabilidade de receita e grau de regulação, além de avaliar a qualidade dos ativos físicos. Fundos e gestores que já mapearam carteiras HALO ajustam pesos conforme avaliações de risco e oportunidades relativas, sem transformar a tática em uma posição absoluta contra o setor de tecnologia.
Para investidores, o desafio é encontrar o equilíbrio certo entre crescimento e resiliência — e selecionar papéis que de fato combinem escassez de ativos com perspectivas sólidas de geração de caixa.
