Binance e Franklin Templeton anunciaram um acordo para oferecer um programa institucional de garantias operando off-exchange. A proposta permite que investidores elegíveis utilizem fundos tokenizados do mercado monetário como colateral em operações na Binance sem a necessidade de transferir os ativos para dentro da corretora. Essa solução foi divulgada publicamente e amplia discussões sobre como reconciliar a segurança da custódia regulada com a agilidade dos mercados digitais.
O anúncio reforça uma tendência de integração entre ativos tradicionais e infraestrutura blockchain, ao mesmo tempo em que responde a uma demanda clara do mercado institucional: reduzir o risco de contraparte sem sacrificar a eficiência do capital.
A iniciativa também mantém os investidores aptos a continuar recebendo os rendimentos típicos dos fundos de mercado monetário enquanto utilizam esses instrumentos como garantia nas negociações cripto.
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Como funciona o modelo off-exchange
O programa permite que clientes aprovados usem ações tokenizadas emitidas pela plataforma Benji, da Franklin Templeton, como colateral para negociar na Binance. Na prática, o valor desses tokens é refletido no sistema de negociação da exchange, mas os ativos físicos ou digitais permanecem sob guarda externa, em um ambiente de custódia regulado. Esse arranjo separa a posse do ativo da sua função como garantia, reduzindo a necessidade de transferências que historicamente expõem instituições a riscos operacionais.
Custódia e liquidação
A responsabilidade pela guarda e pelos processos de liquidação foi delegada à Ceffu, por meio da entidade Ceffu Custody FZE, que atua com supervisão em Dubai. Segundo representantes da empresa, a infraestrutura incorpora controles robustos — incluindo certificações como ISO 27001, ISO 27701 e atestado SOC 2 tipo 2 — além de tecnologias como computação multipartidária (MPC) e esquemas de múltipla aprovação para proteger os ativos. Esses elementos buscam oferecer segurança alinhada às exigências institucionais.
Vantagens para investidores institucionais
Entre os benefícios destacados está a capacidade de manter ativos em uma custódia regulamentada enquanto se aproveita da liquidez e das funcionalidades das plataformas de negociação de cripto. Instituições ganham maior controle sobre riscos associados à insolvência de intermediários, congelamento de saques ou falhas operacionais que ocorrem quando fundos precisam ser depositados diretamente em exchanges. Além disso, o uso de fundos de mercado monetário tokenizados como colateral contribui para otimização do capital e redução da exposição direta às corretoras.
Por que isso importa
O modelo responde a um desafio antigo do mercado institucional: a necessidade de transferir recursos para dentro de corretoras para fins de margem ou garantias, prática que aumenta a exposição ao risco de custódia. Ao permitir que o colateral permaneça fora da exchange, sob supervisão regulamentar, o programa pretende tornar as operações cripto mais alinhadas às normas e práticas do mercado financeiro tradicional, atraindo assim um espectro maior de participantes institucionais.
Tokenização como ponte entre mercados
A iniciativa de Binance e Franklin Templeton reforça a atenção sobre ativos do mundo real (RWA) tokenizados, sobretudo instrumentos considerados conservadores, como fundos de mercado monetário. A tokenização transforma direitos sobre ativos financeiros em representações digitais que podem ser usadas em ecossistemas blockchain, criando novas possibilidades de interoperabilidade entre finanças tradicionais e mercados digitais.
Representantes da Franklin Templeton e da Binance destacaram que a solução foi planejada para permitir que as instituições coloquem recursos para trabalhar em ambiente regulado, sem abrir mão da governança e da segurança exigidas por investidores profissionais. A parceria segue uma colaboração iniciada anteriormente entre as partes e simboliza um passo na profissionalização do mercado cripto.
Impacto no ecossistema e próximas etapas
Ao reduzir obstáculos relacionados à custódia e ao risco de contraparte, o programa pode acelerar a adoção institucional de produtos tokenizados e fortalecer a conexão entre sistemas financeiros tradicionais e mercados de ativos digitais. A infraestrutura de custódia, a supervisão regulatória e as garantias tecnológicas serão fatores-chave para que outras instituições sintam segurança em replicar esse modelo.
O lançamento do programa foi noticiado em 13/02/2026 e é parte de um movimento mais amplo que busca oferecer soluções de colateral estável, rentável e disponível 24 horas por dia para investidores institucionais que operam em cripto. À medida que produtos tokenizados regulados ganham escala, o setor tende a priorizar não apenas o volume de negociação, mas também a robustez da infraestrutura e a mitigação de riscos.
