As projeções mais recentes apontam que o crescimento econômico global deve reduzir seu ritmo para 2,6% no próximo ano, ligeiramente abaixo dos 2,9% registrados em 2025. Essa queda reflete o impacto acumulado de choques energéticos vinculados ao conflito no Oriente Médio, bem como as reverberações de um boom de inteligência artificial que tem trazido tanto oportunidades quanto incertezas.
Projeções de crescimento e fontes de desaceleração
Segundo a UNCTAD o comércio de bens e serviços deve avançar 4% em termos reais, impulsionado principalmente pelos preços elevados da energia, que continuam a distorcer a demanda global. O volume total de comércio atingiu a marca histórica de US$ 35 trilhões em 2025, mas o aumento projetado não se traduz em ganhos distributivos uniformes. Produtos ligados à inteligência artificial como chips, lideram o movimento, porém a agência adverte que a expansão desses itens não garante melhorias de desenvolvimento para todas as economias.
Relação entre IA e estabilidade financeira
O surto da IA tem concentrado o mercado em um número restrito de empresas, algo que a UNCTAD classifica como risco à estabilidade financeira. Embora ainda não tenha identificado quais companhias são as mais vulneráveis, a entidade alerta que uma eventual decepção desses atores poderia desencadear um choque de amplo alcance, afetando tanto mercados desenvolvidos quanto emergentes.
Desempenho regional e desafios específicos
Na esfera regional, a Ásia se destaca, sendo responsável por 59% do crescimento global previsto para 2026. A Índia lidera com uma taxa de 7,3%, seguida pela China (4,5%) e pela Indonésia (5,2%). Ao mesmo tempo, o comércio entre China e Estados Unidos recuou mais de 20% desde 2024, enquanto países da América do Norte têm fortalecido laços comerciais com o Leste Asiático.
Riscos geopolíticos e de dívida pública
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional Kristalina Georgieva, ressaltou que os preços persistentes da energia e o nível recorde de dívida pública – que deve superar 100% do PIB antes de 2030 – são fontes de vulnerabilidade. Ela enfatizou a necessidade de políticas fiscais e monetárias que atuem como escudos contra esses choques, especialmente diante da possibilidade de novos confrontos na região do estreito de Hormuz.
Em síntese, o panorama econômico para 2026 combina pressões de energia, dinâmicas da IA e tensões geopolíticas, criando um terreno complexo para governos, investidores e agentes de mercado. O cenário demanda respostas coordenadas que equilibrem crescimento, estabilidade e resiliência diante de eventos inesperados.



