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Por que um em cada quatro não sente ressaca: fatores biológicos e comportamentais

É comum ouvir que alguém “não sente ressaca” após uma noite de bebedeira. Estudos e relatos populacionais sugerem que aproximadamente 25% das pessoas realmente afirmam não experimentar os sintomas típicos como dor de cabeça, náusea ou fadiga. Essa diferença de resposta ao álcool não é um mistério único: é o produto de uma combinação de fatores biológicos, ambientais e de comportamento.

Nas linhas seguintes, exploramos como o organismo processa o álcool, quais variações genéticas e fisiológicas podem proteger contra a ressaca e que hábitos reduzem ou eliminam os sintomas para algumas pessoas.

O objetivo é explicar, com linguagem acessível, por que a experiência com o álcool varia tanto.

Metabolismo do álcool: o papel das enzimas

Quando o etanol chega ao corpo, ele é transformado por um sistema enzimático. Primeiro, a álcool desidrogenase (ADH) converte o etanol em acetaldeído — uma substância tóxica que causa parte dos efeitos ruins do consumo. Em seguida, a aldeído desidrogenase (ALDH) transforma o acetaldeído em acetato, menos nocivo e mais fácil de eliminar. Diferenças na atividade dessas enzimas explicam grande parte da variação individual.

Variações genéticas

Algumas pessoas carregam variantes genéticas que tornam a ALDH mais eficiente, reduzindo a acumulação de acetaldeído. Nesses casos, a transição do composto tóxico para formas menos agressivas é mais rápida, e os sintomas clássicos da ressaca podem ser mínimos ou ausentes. Já outras variantes — comuns em certos grupos étnicos — provocam acúmulo mais prolongado de acetaldeído, aumentando náuseas e rubor.

Tolerância e adaptação

Outro aspecto é a tolerância. Consumidores habituais desenvolvem adaptações metabólicas e comportamentais que reduzem a percepção da ressaca, pelo menos temporariamente. No entanto, a presença de tolerância não equivale a ausência de dano: danos ao fígado e ao sistema nervoso podem ocorrer mesmo sem sintomas marcantes.

Composição da bebida e fatores externos

Nem só de genética vive a ressaca. A bebida em si e o contexto influenciam muito. Bebidas escuras contêm mais congêneres — subprodutos da fermentação e destilação — que intensificam a inflamação e pioram sintomas. Alguém que beba majoritariamente bebidas claras pode, por isso, relatar menos ressaca.

Hidratação, sono e alimentação

Hidratação adequada, sono de qualidade e alimentação antes e após o consumo atuam como atenuantes. O álcool tem efeito diurético e provoca perda de eletrólitos; dias bem hidratados e refeições ricas em carboidratos e gorduras retardam a absorção do etanol e reduzem picos de concentração no sangue. Algumas pessoas naturalmente equilibram esses fatores, o que ajuda a explicar relatos de ausência de ressaca.

Inflamação, microbioma e outros mecanismos

Pesquisas recentes mostram que a resposta inflamatória do organismo e a composição do microbioma intestinal também influenciam a intensidade da ressaca. Indivíduos com respostas inflamatórias menos pronunciadas ou flora intestinal que metaboliza melhor certos subprodutos do álcool tendem a sentir menos efeitos adversos.

Interação entre fatores

Na prática, raramente um único fator determina a ausência de ressaca. Por isso, cerca de 25% das pessoas podem relatar estar “imunes” aos sintomas, enquanto outras sofrem intensamente após quantidades semelhantes de álcool.

Importante ressaltar que não sentir ressaca não é sinal de imunidade a danos do álcool. Mesmo sem sintomas imediatos, o consumo excessivo pode causar prejuízos hepáticos, cardiometabólicos e neurológicos. Assim, a ausência de ressaca não deve ser interpretada como autorização para beber sem limites.

Entender esses mecanismos ajuda a explicar relatos comuns e a orientar escolhas mais informadas sobre consumo de álcool.

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