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Por que Renato Trezoitão afirma que o bitcoin não é a moeda do anticristo

Em uma conversa com seguidores em seu canal, Renato Trezoitão rejeitou a narrativa que associa o bitcoin à tal da “moeda do anticristo” e reposicionou o debate em torno de quem realmente exerce poder sobre o dinheiro moderno. Para o analista, a acusação deriva de um mal-entendido teológico combinado com um desconhecimento das implicações econômicas: enquanto alguns temem o caráter disruptivo do ativo digital, outros ignoram que as moedas fiduciárias concentradas nas mãos do Estado representam um mecanismo de influência social.

A defesa principal foi colocar a discussão sob a ótica da liberdade individual e da soberania financeira.

Trezoitão utiliza termos claros para distinguir crença religiosa de arranjos econômicos, lembrando que símbolos estampados em notas e a centralização bancária carregam uma dimensão simbólica que, na prática, fortalece a autoridade do governo. No centro do argumento está a noção de que o sistema de moedas fiduciárias exige obediência fiscal e alimenta estruturas de controle. Ao mesmo tempo, o autor recomenda ações concretas, como a adoção de autocustódia — aqui definida como a prática de guardar e gerir chaves privadas sem intermediários — para reduzir dependência de instituições financeiras.

Interpretação bíblica e limites do poder estatal

Uma das perguntas que motivou a explicação veio de um espectador sobre a passagem em que Cristo paga um imposto com uma moeda encontrada dentro de um peixe. Trezoitão oferece uma leitura pragmática dessa cena: o gesto teria servido para evitar um escândalo público e não para validar uma autoridade fiscal ilimitada. Ao comentar a frase tradicionalmente traduzida como dar a César o que pertence a César, o analista restringe o alcance do direito do governante, sustentando que o Estado deve ser remunerado apenas pelo que ele efetivamente produz ou administra, e não por controle absoluto sobre a vida econômica dos cidadãos.

O exemplo do peixe

Na explicação do episódio, Trezoitão destaca que ações políticas e religiosas podem ser distintos instrumentos de convivência social. Ele argumenta que a passagem não confere carte branca à tributação sem limites, mas sim aponta para soluções práticas em ambientes tensos. Essa distinção entre esfera religiosa e domínio fiscal é usada como base para criticar a presença de figuras humanas nas notas como forma de culto à autoridade civil, reforçando sua tese de que a verdadeira ameaça à liberdade consiste na centralização monetária.

Bitcoin como reserva de valor e riscos regulatórios

Segundo o autor do livro Bitcoin Red Pill, o bitcoin tende a se consolidar globalmente como uma reserva de valor e como um colateral para grandes operações, ainda que não substitua pagamentos cotidianos em larga escala. Trezoitão projeta que, em regimes políticos mais restritivos, o acesso à inovação será cerceado, tornando difícil para cidadãos comuns acumular frações do ativo. Ele alerta para um cenário de aperto regulatório na América do Sul: suspensão de isenções fiscais e até proibição de saques direcionados a carteiras de autocustódia, com um horizonte de impacto significativo em um período inferior a dois anos.

Estratégias recomendadas

Na visão do influenciador, a resposta imediata é o desinvestimento de instrumentos que percam poder de compra e o acúmulo discreto de bitcoin por quem busca proteger patrimônio. Ele sugere que a facilidade de acesso ao ativo tenderá a privilegiar quem possui cidadania em países desenvolvidos, enquanto cidadãos em estados populistas enfrentarão barreiras. Assim, a preservação da capacidade de compra — segundo Trezoitão — dependerá mais da soberania individual do que de promessas regulatórias.

Proteção familiar e escolhas diante de perseguições

Além do aspecto financeiro, o analista relaciona riscos geopolíticos e sociais ao tema: líderes autoritários vêm limitando preceitos conservadores e, em alguns casos, perseguindo grupos religiosos. Trezoitão alerta que famílias podem sofrer pressões severas e que a comunidade cristã estará diante de decisões complexas, como o exílio ou a resistência interna. Diante disso, ele defende a educação acelerada sobre autocustódia e a saída gradual do sistema bancário tradicional para evitar financiar políticas que ameacem liberdades fundamentais.

Em sua conclusão, o influenciador reafirma que a poupança familiar segura exige autonomia: a acumulação contínua e discreta de bitcoin e a maîtrise da autocustódia são, para ele, instrumentos essenciais para garantir soberania econômica em tempos de controle estatal crescente. Esse conselho combina motivos práticos e éticos, apontando para a proteção do patrimônio sem abandonar a reflexão sobre fé e autoridade.

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