Menu
in

Por que a BlackRock vê investidores de longo prazo comprando as quedas do Bitcoin e lança ETF de Ethereum com staking

Nos últimos movimentos do mercado de criptoativos, a BlackRock destacou que a esmagadora maioria dos seus clientes tem adotado uma postura de acumulação em meio à volatilidade. Segundo a gestora, cerca de 90% da base do seu ETF de Bitcoin, o IBIT, age como um investidor de longo prazo, comprando quedas em vez de liquidar posições.

Esse comportamento ficou evidente mesmo quando o preço do Bitcoin recuou significativamente: o IBIT recebeu entradas em um período em que outros produtos sofreram saídas.

A carteira da BlackRock inclui atualmente cerca de 781,7 mil bitcoins, avaliados em aproximadamente US$ 55,6 bilhões, enquanto concorrentes estratégicos mantêm quantias semelhantes — por exemplo, a estratégia vinculada a Michael Saylor detém cerca de 738,7 mil moedas. Em paralelo a essa presença forte no Bitcoin, a gestora ampliou sua oferta com um ETF de Ethereum que prevê o uso de staking, buscando combinar exposição ao preço com geração de renda.

Perfil dos investidores do IBIT

A BlackRock descreve a base do IBIT como notavelmente estável: mais de 90% dos participantes seriam compradores que mantêm posição, incluindo investidores de varejo, assessores financeiros e instituições. Por outro lado, existe uma fatia menor, próxima a 10%, composta principalmente por hedge funds e operadores de curto prazo, que tendem a aproveitar flutuações pontuais. Essa divisão ajuda a explicar por que o IBIT conseguiu registrar entradas consistentes mesmo em momentos de pressão vendedora em outras partes do ecossistema.

Um dado que ilustra essa resiliência é que o IBIT figurou entre os ETFs com maior volume de entrada global, acumulando cerca de US$ 26 bilhões de entradas em determinado período, apesar das quedas no preço do Bitcoin. A gestora atribui esse fluxo à confiança em fundamentos — como a liquidez e a utilidade do ativo — e ao perfil de investidores que priorizam acumulação e estabilidade em vez de trading especulativo.

O novo ETF de Ethereum com staking

Como funciona o ETHB

A BlackRock lançou o ETHB, um produto que combina exposição ao Ethereum com a possibilidade de staking das moedas detidas pelo fundo. Na prática, parte dos ativos do ETF será bloqueada para validar a rede e, em troca, gerar recompensas que vão incrementar o retorno dos cotistas. Esse modelo busca aproveitar dois vetores de retorno: a valorização do preço do Ether e os rendimentos associados ao staking.

Rendimentos e trade-offs

Atualmente, estimativas do mercado apontam que o staking de Ethereum costuma render por volta de 4% ao ano, variável conforme condições da rede. No caso do ETHB, os retornos destinados aos cotistas devem ficar um pouco abaixo desse patamar, porque a gestora precisa manter certa liquidez para atender resgates. Ainda assim, quem busca exposição ao Ethereum com uma componente de geração de renda pode achar o produto atraente, especialmente considerando que a BlackRock já opera outro ETF de Ether, o ETHA, lançado em julho de 2026 e que acumulou recursos relevantes desde então.

Implicações para o mercado

O movimento da BlackRock reflete uma estratégia mais cautelosa e centrada na escala: priorizar produtos com grande liquidez e apelo para investidores de perfil conservador dentro do universo cripto. A combinação de um ETF de Bitcoin com uma base estável de compradores e um ETF de Ethereum que incorpora staking pode acelerar a institucionalização dos criptoativos, oferecendo alternativas que mesclam exposição ao preço com mecanismos de rendimento. Para investidores, isso significa mais opções para estruturar carteiras, mas também a necessidade de avaliar trade-offs entre liquidez e potencial de rendimento.

Sair da versão mobile