Entender o Custo Efetivo Total (CET) é essencial antes de fechar qualquer financiamento. Uma planilha bem estruturada revela taxas ocultas, seguros e tarifas que drenam o orçamento ao longo dos anos. Ao dominar as fórmulas corretas, o comprador evita surpresas e negocia condições mais vantajosas.
Este guia apresenta, passo a passo, como montar a planilha, comparar os sistemas de amortização SAC e Price e validar o CET com recursos do Excel ou Google Sheets. Tudo isso sem depender de simuladores externos que podem omitir custos importantes.
Passo a passo: estrutura da planilha
Comece criando uma aba “Resumo” que consolide as principais variáveis: valor do bem, entrada, taxa de juros anual, prazo, seguros e tarifas. Cada item deve possuir uma célula de entrada e um campo de cálculo que reverbere nas demais abas.
- Defina valor_total = valor do bem – entrada.
- Insira a taxa nominal anual (ex.: 10,5%). Converta para mensal: = TAXA_ANUAL/12.
- Estabeleça o número de parcelas: = PRAZO * 12.
- Reserve linhas para seguro de vidaseguro de imóvel e tarifas administrativas informando valores mensais ou totais conforme o contrato.
Com esses parâmetros, as fórmulas de amortização podem ser aplicadas em outra aba, mantendo a consistência dos dados.
Incluindo juros, seguros e tarifas
A maioria dos simuladores exibe apenas a taxa de juros, mas o CET incorpora todos os encargos. Para cada parcela, some o valor da prestação ao custo fixo mensal dos seguros e tarifas.
- Juros mensais: =valor_restante * taxa_mensal.
- Seguro de vida (pelo saldo devedor): =valor_restante * taxa_seguro_vida.
- Tarifa de administração: valor fixo informado no contrato, normalmente entregue em parcela única ou distribuído ao longo do prazo.
Multiplique esses valores por 12 para obter o custo anual de cada item e insira na aba “Resumo”. O uso de referências absolutas ($A$2) garante que a taxa seja aplicada uniformemente.
Comparando SAC e Price
O SAC (Sistema de Amortização Constante) reduz o saldo devedor mais rapidamente, gerando parcelas decrescentes. Já o Price (Tabela Price) mantém parcelas fixas, mas eleva o valor total pago por causa dos juros sobre um saldo maior por mais tempo.
Implemente duas colunas de cálculo: uma para SAC e outra para Price. As fórmulas típicas são:
- SAC – amortização = valor_total / número_de_parcelas; juros = saldo_restante * taxa_mensal; prestação = amortização + juros.
- Price – prestação fixa = PV * (i*(1+i)^n)/((1+i)^n-1); amortização = prestação – juros.
Ao final, some todas as prestações e compare o total desembolsado de cada regime. A diferença costuma ser maior quanto maior o prazo.
Armadilhas comuns em prazos e entrada
Muitos contratos oferecem juros menores “para prazo maior” ou “entrada menor”. Essa prática pode inflar o CET porque o número de parcelas aumenta exponencialmente. Por exemplo, um financiamento de 30 % de entrada em 240 meses pode ter taxa nominal de 9 % ao ano, porém o CET pode ultrapassar 12 % ao incluir seguros e tarifas.
Outro ponto crítico é a taxa de abertura de crédito (TAC). Se não for explicitada, ela costuma ser cobrada como tarifa única no início do contrato, elevando o CET. Na planilha, crie um campo “TAC” e inclua seu valor na soma total antes de calcular o CET.
Validando o CET com fórmulas financeiras
Com todos os custos listados, use a função IRR (Taxa Interna de Retorno) ou RATE para encontrar a taxa que iguala o fluxo de caixa de saída (prestações) ao fluxo de entrada (valor do bem – entrada + TAC + seguros). No Excel, a fórmula ficaria:
=IRR({-valor_total,prestação1,prestação2,…,prestaçãoN})*12
Multiplique por 12 para transformar a taxa mensal em anual. O resultado é o CET anualizado. Verifique a consistência comparando o valor obtido com o informado pelo banco; divergências acima de 0,5 % indicam que algum custo não foi incluído.



