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Petróleo acelera e bolsas oscilam com risco no Estreito de Ormuz

Os primeiros negócios da semana mostraram nervosismo: os futuros do S&P 500 abriram em queda de cerca de 0,4% na segunda-feira (6), enquanto o Brent subiu cerca de 1% até a faixa de US$ 110 por barril. As movimentações ocorreram depois que o presidente Trump voltou a ameaçar atacar a infraestrutura do Irã caso o Estreito de Ormuz — rota estratégica para o fluxo global de petróleo — permanecesse fechado.

Em publicações, o presidente também escreveu: “Terça-feira, 20h, horário da Costa Leste!“, sem detalhar o conteúdo, alimentando incerteza entre operadores.

O aviso da Opep+ sobre danos duradouros a ativos energéticos no Oriente Médio reforçou o temor de oferta apertada mesmo se um conflito terminar no futuro próximo. Com ataques se espalhando pela região, é difícil ver sinais claros de um cessar-fogo, e isso mantém o barril consistentemente acima dos US$ 100, pressionando custos de energia e reordenando posicionamentos em renda variável e renda fixa. Estrategistas como Homin Lee, do Lombard Odier, destacam que o foco do mercado é agora as ações militares e a segurança das travessias por Ormuz.

Reação das ações e fluxos de mercado

Apesar do susto, o S&P 500 vinha de sua melhor semana do ano, com alta de cerca de 3,4% impulsionada por short covering e especulação sobre uma eventual retirada de operações militares. Ainda assim, o índice permanecia aproximadamente 5,7% abaixo do recorde de janeiro. Na quinta-feira anterior, o discurso televisionado de Trump frustrou expectativas de um cronograma claro para encerrar o conflito, fazendo as bolsas abrirem em queda; notícias posteriores sobre conversas entre o Irã e Omã para gerenciar tráfego em Ormuz permitiram uma recuperação parcial.

Pressão no mercado de energia

O mercado de petróleo seguiu em alta: o WTI fechou acima de US$ 110 com ganhos diários expressivos, e o Brent encerrou perto de US$ 109 em momentos de maior tensão. Em semanas recentes o barril chegou a se aproximar de US$ 120, quando ataques a instalações energéticas e o fechamento de Ormuz provocaram o que a Agência Internacional de Energia definiu como o maior choque de oferta da história do mercado. Além do cenário geral, incidentes específicos afetaram infraestrutura: ataques danificaram a sede da estatal de petróleo do Kuwait e interromperam uma planta petroquímica nos Emirados Árabes.

Juros, vagas e Treasuries

O lado da renda fixa também refletiu o aumento da incerteza: na sexta-feira anterior, os Treasuries recuaram após o dado de emprego de março surpreender, com a economia dos EUA criando 178 mil vagas — número acima das projeções. O yield dos Treasuries de 2 anos subiu 4 pontos-base, para 3,84%, enquanto o mercado diminuiu as apostas sobre cortes de juros do Fed em 2026. No radar dos investidores está o comportamento do preço da energia e seu impacto sobre a inflação, já que um repique dos combustíveis tende a alimentar o índice de preços ao consumidor.

Perspectivas e riscos

A continuidade dos bombardeios e a falta de um avanço negociado para encerrar o conflito aumentam a probabilidade de uma guerra mais longa, o que pesaria sobre crescimento global e sustenta pressões inflacionárias. Há histórico de recuos e reacelerações nas ameaças do próprio Trump, que já se alterou em ocasiões recentes, e ele anunciou a intenção de conceder uma coletiva às 13h (horário de Nova York) na segunda-feira, o que pode trazer nova volatilidade. Como avalia Homin Lee, embora o presidente queira encerrar a participação americana em algumas semanas, a dinâmica imprevisível dos acontecimentos pode tornar uma última rodada de ataques muito custosa para os mercados.

No conjunto, os investidores entram numa semana decisiva, com o dado de inflação dos EUA na sexta-feira sendo particularmente observado: uma alta estimada de cerca de 1% no mês para o CPI de março — influenciada por uma elevação próxima a US$ 1 por galão nos preços da gasolina nos postos americanos — pode reacender pressões sobre expectativas de política monetária e condicionar o desempenho de ações e commodities nas próximas sessões.

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