A mais recente pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada em 28 de abril de 2026, confirma um padrão que vem marcando as sondagens eleitorais: candidatos do chamado centro-direita ampliam visibilidade, porém encontram dificuldades para descolar a disputa do confronto entre o campo conhecido como lulismo e o núcleo bolsonarista liderado por Flávio Bolsonaro. O levantamento ouviu 5.008 pessoas entre os dias 24 e 27 de abril, por meio de questionário digital; a margem de erro é de um ponto percentual e o nível de confiança é de 95%.
O estudo está registrado no TSE sob o número BR-07992/2026.
No cenário testado para o segundo turno, Romeu Zema (Novo) aparece muito próximo do presidente Lula, com 46,5% contra 47,4% de Lula — diferença inferior a um ponto, caracterizando o que os institutos costumam chamar de empate técnico. Já Ronaldo Caiado (PSD) mostra desempenho menos competitivo: em confronto direto com o presidente, o governador de Goiás registra 42,2% contra 46,8% de Lula. Esses números deixam claro que, embora haja movimento de crescimento para ambos, a dinâmica central da eleição segue concentrada em dois polos.
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Resultados detalhados e leitura imediata
Os dados apontam que Zema configura a alternativa mais viável fora da polarização estrita: sua performance no segundo turno o coloca como o candidato de centro-direita mais capaz de encostar em Lula. Ainda assim, o avanço não chega para romper a lógica binária do pleito: mesmo quando crescem nas simulações finais, Zema e Caiado não deslocam de forma significativa a força relativa de Lula e de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, a situação é ainda mais restritiva para a terceira via, com ambos mantendo patamares baixos e sem alcançar dígitos altos que permitam assegurar vaga no segundo turno por conta própria.
Comparação com rodadas anteriores
O resultado reforça uma trajetória observada em levantamentos recentes — como os realizados por Datafolha e Genial/Quaest — em que a disputa entre Lula e Flávio se estreita. Em pesquisa anterior do próprio AtlasIntel, divulgada em março, já havia sinais de esgotamento da folga petista em cenários decisivos. A leitura conjunta sugere que o campo bolsonarista tem encontrado formas de transferir votos e ampliar coesão enquanto o eleitorado reage às condições econômicas e à percepção de gestão. Ainda assim, a elevada taxa de rejeição que afeta os protagonistas mantém a eleição num patamar de incerteza estratégica.
Por que a terceira via não cresce mais?
Há razões estruturais que explicam a dificuldade de nomes como Zema e Caiado para escalar: primeiro, a divisão do eleitorado em torno de causas identitárias e avaliação de governo cria barreiras para o surgimento de candidaturas quebra-padrão; segundo, a visibilidade estadual, por melhor que seja, nem sempre se converte em penetração nacional homogênea. Além disso, o fenômeno da transferência rápida de votos do ex-presidente Jair Bolsonaro para lideranças filiadas ao mesmo campo acelerou a consolidação do bloco conservador, limitando o espaço para alternativas moderadas. Em suma, os avanços existem, mas são setoriais e insuficientes para redefinir o tabuleiro.
Limites metodológicos e interpretação
Ao analisar qualquer pesquisa é preciso considerar o método: a amostra de 5.008 entrevistas e a aplicação por questionário digital produzem um retrato representativo dentro da margem de erro anunciada, mas não eliminam variações locais e efeitos de última hora. Além disso, cenários com ausência de um dos polos principais tendem a superestimar a viabilidade de alternativas, o que explica parte do salto observado em simulações finais quando Lula ou Flávio são retirados das simulações.
O que vem a seguir
Na prática, o levantamento reforça três linhas de atenção para a campanha: a capacidade de Flávio Bolsonaro de manter o ritmo de crescimento; a possibilidade de Lula encontrar um piso de apoio estável; e a viabilidade real de uma terceira via consolidada. Se nenhum novo nome crescer de forma consistente, a tendência é que a disputa permaneça majoritariamente binária. Em todo caso, com a campanha em movimento, a sucessão de pesquisas seguirá sendo interpretada mais como indicador de trajetória do que como fotografia definitiva.
