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Partidos do Centrão miram neutralidade e apoios regionais com Tarcísio fora da disputa

Após a decisão do governador paulista de não seguir na corrida presidencial, dirigentes do Republicanos e de outras siglas do Centrão passaram a reavaliar estratégias para o Palácio do Planalto. Em uma movimentação que ganhou impulso, auxiliares do presidente Lula identificam oportunidade para evitar apoio nacional uniforme à oposição e, em vez disso, costurar acordos no nível estadual — especialmente nas unidades da federação onde o petista mantém maior popularidade.

Essa reconfiguração de alianças tem sido apontada por ministros e presidentes de partido como uma resposta pragmática à nova realidade eleitoral: sem Tarcísio como candidato, a obrigatoriedade de palanques unitários perde força e abre espaço para decisões locais que podem favorecer a reeleição de Lula em regiões-chave.

Por que a saída de Tarcísio muda o tabuleiro

A hipótese central entre articuladores é simples: Tarcísio funcionava como um ponto de convergência para o bloco de centro-direita. Com ele fora, a coesão nacional do grupo enfraquece e surgem janelas para negociações regionais. O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, e outros líderes já sinalizaram que a tendência é liberar diretórios nos estados, permitindo apoios diversos conforme afinidades locais.

Ministros originários de legendas do Centrão — entre eles o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos) — afirmaram que a estratégia privilegia o Nordeste, onde o presidente Lula mantém ampla aceitação. Estados como Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Alagoas são citados como prováveis palanques favoráveis se as condições regionais assim indicarem.

Articulação do Centrão e divisões internas

Partidos como o PSD, PP e União Brasil estão no centro dessa negociação. Dirigentes nacionais dessas siglas — Gilberto Kassab (PSD), Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União Brasil) — já vinham costurando acordos estaduais mesmo antes da definição de candidaturas nacionais. A saída de um nome de consenso altera essas costuras, elevando o papel de presidentes de diretórios estaduais e de governadores na tomada de decisões.

O PSD, por exemplo, vive uma tensão entre a orientação nacional de lançar candidatura própria — como reafirmou Gilberto Kassab — e a inclinação de alguns diretórios regionais que apontam para apoio a Lula. Kassab, ao mesmo tempo em que defende nomes como Ronaldo Caiado, Eduardo Leite ou Ratinho Júnior, admite que a estratégia do partido convive com pluralidade de posicionamentos locais.

Relações com o PL e a nova candidatura de Flávio

Do outro lado da cena política, a definição da candidatura do senador Flávio Bolsonaro reorganizou parte do eleitorado e das alianças de direita. A migração de apoio para Flávio fez com que setores do Centrão repensassem a possibilidade de aderir a uma candidatura unificada da oposição, aumentando a propensão a optar por neutralidade ou por apoios pontuais quando houver convergência estratégica.

Em alguns estados do Nordeste, entretanto, há exceções: aliados de Flávio já conseguem palanques locais, como no Rio Grande do Norte, onde lideranças regionais do Republicanos declararam apoio. Mesmo assim, a tendência majoritária entre líderes do Centrão é trabalhar para ampliar palanques favoráveis ao presidente Lula, não a um candidato da direita.

Consequências práticas e negociações ministeriais

O Centrão detém a indicação de titulares em vários ministérios e bancadas robustas na Câmara e no Senado. Esse poder de barganha transforma palanques estaduais em moeda de troca política. A aproximação com o Palácio do Planalto envolve ministros que atuam como interlocutores nas siglas: além de Silvio Costa Filho, nomes do União Brasil e do MDB têm mantido conversas para alinhar bancadas e diretorias.

Em paralelo, figuras tradicionais do Congresso, como o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP), avaliam abrir palanques em troca de costuras para candidaturas ao Senado e de espaços de influência local. Há também menções à possibilidade, embora delicada, de negociar vaga de vice na chapa, um tema que o governo mantém em aberto dada a satisfação com o atual vice, Geraldo Alckmin.

O jogo estadual e a estratégia do PT

O PT não tem ficado inerte: a legenda busca presidentes de partidos do Centrão para reforçar apoios regionais. Reuniões entre líderes petistas e presidentes de siglas já ocorreram com o objetivo explícito de criar palanques estaduais que neutralizem a força de uma oposição organizada em nível nacional. A intenção é transformar a soma de apoios locais em um efeito de rede favorável à reeleição.

Em síntese, a saída de Tarcísio da disputa reposicionou o tabuleiro político: promoveu um movimento de descentralização das decisões e acentuou a força das negociações estaduais. A tendência no momento é de que o Republicanos e outros partidos do Centrão adotem posturas menos rígidas nacionalmente, priorizando arranjos regionais que podem, em vários casos, beneficiar a reeleição de Lula — sobretudo nas regiões onde o petista tem maior penetração.

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