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P2P de criptomoedas no Brasil soma grande liquidez e Binance domina ofertas

Um levantamento detalhado publicado em 17/02/2026 pela Crystal Intelligence traçou o mapa do mercado peer-to-peer (P2P) de bitcoin e outras criptomoedas no Brasil. O estudo identificou 1.641 anúncios ativos distribuídos em nove plataformas e estimou uma capacidade de negociação total de aproximadamente US$ 2,22 trilhões.

Esses números revelam a escala e a profundidade das operações P2P no país, assim como a concentração de ofertas em alguns players.

Além dos dados de volume e anúncios, a análise destaca que a Binance ocupa a posição de liderança no segmento, respondendo por 45,1% de todas as ofertas mapeadas. Esse domínio impacta liquidez, formação de preço e opções disponíveis para usuários que preferem transacionar diretamente entre pares, fora dos mercados tradicionais de ordens.

O que os números do P2P significam para o mercado brasileiro

A presença de mais de mil anúncios e uma capacidade de negociação na casa dos trilhões indica que o P2P não é apenas um nicho residual: trata-se de um canal relevante para compra e venda de criptomoedas no Brasil. A estrutura P2P costuma beneficiar usuários que buscam diversidade de métodos de pagamento e negociação direta com contraparte, além de oferecer alternativas quando a liquidez em exchanges centralizadas é limitada.

Concentração e riscos

Com a Binance respondendo por quase metade das ofertas, há efeitos práticos sobre preços implícitos e condições de negociação. A concentração pode reduzir a fragmentação do mercado, mas também eleva pontos de vulnerabilidade: interrupções operacionais ou mudanças de política da plataforma tendem a reverberar com força no ecossistema P2P local. Por isso, operadores e reguladores costumam monitorar participação de mercado e fluxos de liquidez.

Contexto de preços do bitcoin e o impacto dos ETFs

Paralelamente ao panorama P2P, o comportamento do preço do bitcoin (BTC) tem chamado atenção. No início da semana, a cotação transitou na casa dos US$ 68 mil, sem força para recuperar o patamar de US$ 70 mil. Movimentos de curto prazo foram influenciados por feriados nos Estados Unidos, que reduziram a presença institucional em pregões e acentuaram a volatilidade.

Fluxos de ETFs e liquidez de mercado

Os fundos negociados em bolsa (ETFs) de bitcoin também têm exercido influência direta: após fortes resgates ao longo de fevereiro, houve sinais de reversão com entradas líquidas mais recentes. Esses fluxos afetam tanto a demanda por bitcoin quanto a percepção de risco entre investidores institucionais e de varejo. Em dias com entradas líquidas, a pressão compradora tende a apoiar preços, enquanto resgates ampliam a oferta em corretoras.

Movimentações on-chain e oferta disponível em exchanges

Dados on-chain complementam a leitura do mercado à vista. Relatórios apontam um aumento no fluxo de bitcoins saindo de exchanges para carteiras maiores, um padrão que reduz a quantidade disponível para venda imediata nas corretoras. A retirada de moedas das plataformas pode diminuir a pressão vendedora estrutural e oferecer suporte aos preços, já que há menos estoque líquido pronto para execução de ordens.

Essa dinâmica é frequentemente observada quando investidores de maior porte aproveitam quedas temporárias para acumular. Ao mesmo tempo, os operadores de varejo menos convictos tendem a realizar vendas em movimentos bruscos, ampliando volatilidade no curto prazo. O comportamento combinado de ETFs, saídas on-chain e liquidez P2P compõe o quadro atual de formação de preço.

Implicações para usuários e perspectivas

Para quem negocia no ambiente P2P, a recomendação é observar profundidade dos anúncios, variação de spreads e reputação das contrapartes. Plataformas com grande participação, como a Binance, oferecem mais ofertas e potencialmente melhores preços, mas a concentração exige atenção a políticas de compliance e disponibilidade de serviços.

Em termos de mercado mais amplo, a interação entre fluxos de ETFs, movimentações on-chain e atividades P2P sugere que a liquidez e o preço do bitcoin continuarão sensíveis a anúncios institucionais e a mudanças na disponibilidade de oferta nas exchanges. Monitorar esses vetores é essencial para qualquer estratégia de negociação ou investimento em criptomoedas.

O levantamento da Crystal Intelligence em 17/02/2026 oferece, portanto, um retrato da relevância do P2P no Brasil e da influência de players dominantes, enquanto os dados de preços e fluxos financeiros ajudam a entender a dinâmica de curto a médio prazo no ecossistema cripto.