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Operação Eixo: como criptomoedas e empresas de fachada foram usadas para ocultar recursos ilícitos

Em uma ação coordenada na manhã de sexta-feira (10), a Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou a Operação Eixo com o objetivo de desmontar uma estrutura suspeita de tráfico interestadual e de ocultação de recursos. O trabalho envolveu cerca de 200 policiais e a execução de 96 mandados judiciais em várias unidades da federação, com ordens para prisão temporária, busca e apreensão e bloqueio de bens. As medidas apontam para um sistema financeiro complexo que misturou contas de terceiros, empresas de fachada e criptoativos.

As investigações, iniciadas em 2026 pela 13ª Delegacia de Polícia, em Sobradinho, indicaram movimentações atípicas destinadas a abastecer o mercado de drogas no Distrito Federal. A Justiça decretou a indisponibilidade de bens de 49 suspeitos e determinou o bloqueio de até R$ 1 bilhão em ativos, incluindo saldos em corretoras e valores em contas bancárias. Em paralelo, os agentes identificaram transferências padrão e saques volumosos como práticas usadas para dificultar o rastreamento patrimonial.

Escopo da operação e procedimentos

A operação cumpriu 40 mandados de prisão temporária e 56 mandados de busca e apreensão, distribuídos pelo Distrito Federal e pelos estados de Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Amazonas, Paraná e Santa Catarina. As ações se estenderam a áreas do DF como Gama, Samambaia, Itapoã, Sobradinho, Santa Maria e Vicente Pires, além de cidades como Guarujá, Foz do Iguaçu e Uberlândia. O emprego de equipes táticas visou reduzir riscos em abordagens consideradas sensíveis, com apoio logístico e operacional entre corporações de diferentes unidades da federação.

Durante as diligências, foram sequestrados veículos de luxo e imóveis indicados como parte do patrimônio imputado aos investigados, além de bloqueios em plataformas financeiras e corretoras de ativos digitais. A Justiça ainda autorizou a retenção de saldos em criptoativos e a indisponibilidade de empresas que, segundo a apuração, tinham pouca ou nenhuma capacidade operacional compatível com os valores movimentados. Essas medidas buscam congelar recursos enquanto as provas são avaliadas para pedidos de conversão de medidas cautelares.

Como funcionava o esquema financeiro

O núcleo financeiro da organização, conforme apurado pela polícia, utilizou empresas de fachada, contas bancárias em nome de terceiros e aplicações em criptomoedas para dispersar e ocultar recursos. Esse tipo de expediente inclui transferências em valores padronizados para pulverizar trilhas financeiras, saques em espécie em grande volume e operações em plataformas de criptoativos que facilitam a fragmentação dos recursos. Em um dos exemplos citados pelos investigadores, uma única conta bancária movimentou mais de R$ 79 milhões em curto período.

O uso de criptoativos — entendido aqui como ativos digitais negociados em corretoras e carteiras eletrônicas — permitiu que parte dos valores circulasse fora dos mecanismos tradicionais de controle, exigindo medidas específicas para bloqueio e rastreamento. Para as autoridades, a combinação entre meios físicos (saques em espécie), contas interpostas e operações com criptoativos criou uma cadeia complexa de lavagem, tornando essencial a cooperação entre delegacias e unidades de repressão ao crime organizado.

Conexões interestaduais e internacionais

As apurações apontaram ligação com facções de fora do DF, inclusive do Rio de Janeiro, e a existência de pelo menos dois núcleos rivais atuando no Distrito Federal. A investigação identificou deslocamentos de suspeitos para treinamentos com armas de grande calibre em comunidades do Rio de Janeiro, o que reforça o caráter organizado e violento da rede. Além disso, a operação mirou investigados estrangeiros: dois cidadãos colombianos e um venezuelano foram incluídos na lista de alvos, sendo que um dos colombianos havia sido preso recentemente na Espanha após constar em difusão vermelha da Interpol.

Implicações e próximos passos

Com a indisponibilidade de bens de 49 alvos e o bloqueio de até R$ 1 bilhão, as autoridades esperam enfraquecer a capacidade logística e financeira do grupo de abastecimento de drogas no DF. Os investigados podem responder por crimes como tráfico interestadual de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro, cuja pena acumulada pode alcançar décadas de reclusão. O desfecho das investigações dependerá da análise das provas coletadas nas buscas e do rastreamento das transações em contas e corretoras envolvidas.

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