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21 junho 2026

O futuro dos investimentos em inteligência artificial e os desafios do mercado

A inteligência artificial está no centro de uma revolução de investimentos, com projeções indicando que os aportes podem ultrapassar US$ 1 trilhão. Descubra os desafios e oportunidades nesse setor em expansão.

O futuro dos investimentos em inteligência artificial e os desafios do mercado

A inteligência artificial (IA) está transformando o cenário de investimentos, com projeções indicando que os aportes na tecnologia podem ultrapassar US$ 1 trilhão sem abalar a confiança do mercado. Enquanto as ações de tecnologia continuam a puxar os índices acionários em Wall Street, os investidores parecem ter superado os temores relacionados aos custos de desenvolvimento da infraestrutura de IA.

A última temporada de balanços reforçou a percepção de que a demanda por IA continua acelerando. Instituições como J.P. Morgan e Barclays projetam que os investimentos na tecnologia podem alcançar a marca de US$ 1 trilhão em breve, sem comprometer a confiança do mercado.

Otimismo com ressalvas nos IPOs de gigantes da tecnologia

O mercado está eufórico com os possíveis IPOs de gigantes como SpaceXOpenAI e Anthropicque podem repetir valuations trilionários. No entanto, especialistas como Rodrigo Baersócio da 14Bis Capitalexpressam ceticismo em relação aos retornos sobre o investimento nos patamares de avaliação atualmente discutidos.

“Estou otimista quanto ao valor que essas empresas são capazes de criar. Tenho dúvidas quanto ao retorno no investimento nos preços que estão sendo praticados”, afirmou Baer. Para justificar valuations de US$ 1 trilhão a US$ 1,5 trilhãoseria necessário projetar que essas companhias chegariam a valer até US$ 10 trilhões no futuro, o que ele considera politicamente inviável.

O risco de plataformas “comerem” o lanche das startups

A ascensão da IA trouxe consigo uma preocupação renovada no ecossistema de investimentos em tecnologia: o risco de que as grandes plataformas de IA passem a competir diretamente com as startups que constroem seus negócios sobre elas. “O que acontece se a sua plataforma quiser comer parte do seu lanche?”, questionou Baer, lembrando que empresas como Google e Meta já foram historicamente conhecidas por se apropriar dos negócios desenvolvidos por terceiros em seus ecossistemas.

Um exemplo concreto citado foi o lançamento do Claude para advogadospela Anthropic. Para startups que construíram soluções jurídicas com base em modelos de IA, a entrada direta da empresa desenvolvedora do modelo no mesmo segmento representa uma ameaça significativa. “Você montou uma empresa para atender advogados ali. Você não tinha um molde muito grande, uma defensibilidade muito grande. A sua vida se tornou materialmente mais difícil”, afirmou.

Fidelity entra no mercado de reservas de stablecoins

A Fidelity Investments anunciou o lançamento do Fidelity Reserves Digital Fundum fundo do mercado monetário voltado para a gestão de reservas de emissores de stablecoins e investidores institucionais. A iniciativa posiciona a gestora como a mais nova gigante de Wall Street a disputar espaço no crescente mercado de ativos digitais, seguindo os passos da State Streetque lançou produto similar dias antes.

O fundo da Fidelity investirá em títulos do Tesouro dos EUA com vencimento de até 93 dias, caixa e acordos de recompra overnight, oferecendo uma alternativa regulada para que emissores de stablecoins mantenham suas reservas em instrumentos de alta liquidez. A movimentação ocorre em meio à implementação do GENIUS Acta primeira lei federal dos EUA para stablecoins de pagamento, que exige que os emissores mantenham reservas em dinheiro, títulos do Tesouro de curto prazo e fundos governamentais qualificados.

A demanda impulsionada pelo GENIUS Actsancionado em 2026, estabeleceu um marco regulatório para stablecoins nos Estados Unidos, criando uma demanda massiva por veículos de investimento seguros e regulados. A legislação obriga os emissores a deterem ativos de alta liquidez, abrindo caminho para que gestoras tradicionais como Fidelity e State Street ofereçam produtos específicos para esse nicho.

O mercado de stablecoins movimenta cerca de US$ 320 bilhõescom projeções indicando que pode atingir entre US$ 1,9 trilhão e US$ 4 trilhões até 2030. A estreia do Fidelity Reserves Digital Fund marca mais um passo na convergência entre finanças tradicionais e criptoativos, sinalizando que as stablecoins estão deixando de ser um nicho especulativo para se tornarem uma classe de ativo integrada ao sistema financeiro regulado.

Autor

Bruno Costa