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Negociações entre Petrobras e Mubadala por Mataripe ganham impulso com cenário de mercado

Relatos de mercado apontam que a Petrobras tem mantido diálogos diretos com representantes do fundo soberano Mubadala sobre a recompra da refinaria de Mataripe, unidade localizada na Bahia. A retomada do tema ganhou visibilidade após declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 20 de março, e reportagens — incluindo a cobertura de 13 de abril — indicam que as negociações seguem em curso com o objetivo de avaliar uma eventual transação.

Fontes ouvidas por veículos de imprensa afirmam que as conversas são conduzidas como tratativa comercial e que há intenção de chegar a um acordo ainda em 2026. Ao mesmo tempo, há pontos sensíveis a serem resolvidos, em especial a avaliação do ativo e o impacto de investimentos realizados pela atual controladora, a Acelen, do grupo Mubadala.

Origem da venda e relevância histórica

A refinaria, conhecida historicamente como Landulpho Alves, foi a primeira do país e inaugurada em 1950. O ativo foi vendido em dezembro de 2026 para o fundo Mubadala, que opera a unidade por meio da Acelen. Desde então, o tema da possibilidade de recompra já esteve no radar de autoridades e do próprio governo federal como parte da agenda sobre capacidade de refino doméstica e segurança energética.

Pontos centrais das conversas

Do lado técnico e econômico, há discussões sobre o preço pedido pelo vendedor e sobre os investimentos somados ao ativo depois da venda. Segundo relatos, um dos entraves é justamente a diferença entre o valor histórico da venda — US$1,65 bilhão em 2026 — e as melhorias ou aportes feitos posteriormente, o que altera a base de negociação. Fontes confidenciais assinalam que a operação só avançará se a Petrobras considerar a proposta financeiramente viável.

Avaliação do ativo

A avaliação é apontada como item crítico: os números apresentados pelo Mubadala refletem obras e upgrades realizados desde 2026, enquanto a Petrobras precisa garantir que a compra atenda aos critérios de governança e retorno para seus acionistas. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, declarou que as conversas ocorrem há cerca de dois anos e meio e reforçou que a negociação é de caráter comercial, sujeita às regras de transparência e controle da companhia, listada em bolsas internacionais.

Capacidade de refino e demanda interna

O contexto operacional influencia a urgência: a alta do preço do petróleo, associada a tensões globais, deixou mais evidente a necessidade de ampliar a capacidade de refino nacional. Em 2026, a unidade na Bahia registrou recorde de processamento de 261 mil barris por dia, segundo a Acelen. Apesar disso, fontes informam que atualmente Mataripe opera perto de 60% da sua capacidade, enquanto o parque da Petrobras estaria próximo do limite para atender a demanda interna, gerando maior dependência de importações, especialmente de diesel e GLP.

Governança, política e próximos passos

É relevante destacar o componente institucional: autoridades reforçam que a decisão de recomprar será tomada pela Petrobras com base em critérios econômicos e no respeito à sua governança corporativa. O discurso público do presidente sobre recomprar a refinaria colocou o tema em evidência, mas, conforme fontes, o caminho depende do alinhamento entre preço, condições contratuais e viabilidade operacional.

Participantes das negociações avaliam que ainda há espaço para avanço, mas que fatores importantes precisam ser resolvidos antes de qualquer anúncio formal. Caso haja acordo, membros do mercado estimam que a transação poderia ocorrer ainda em 2026, se houver consenso sobre valor e termos. Procuradas, nem a Petrobras nem o Mubadala comentaram oficialmente os detalhes das tratativas.

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