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morre renato rabelo, ex-presidente do pcdob, aos 83 anos

Faleceu, no domingo, Renato Rabelo, um dos nomes mais representativos do PCdoB. Aos 83 anos, Rabelo vinha travando uma batalha contra um câncer que se agravou nos últimos meses. A notícia foi confirmada pelo próprio partido, que divulgou nota oficial expressando dor e solidariedade à família.

Ao longo de mais de seis décadas de militância, Rabelo deixou marcado seu papel como organizador e articulador político. Médico de formação e ativista estudantil, ele acumulou experiências que o colocaram ao centro das grandes mobilizações democráticas do país e na reconstrução do PCdoB após o período autoritário.

Trajetória e atuação política

Renato Rabelo iniciou sua militância ainda jovem, passando por lideranças estudantis relevantes: presidiu a União dos Estudantes da Bahia e foi vice-presidente da União Nacional dos Estudantes em um período de intensa repressão. Durante a ditadura militar, participou da resistência política, enfrentou perseguições e viveu o exílio, experiências que moldaram sua visão estratégica e sua prática partidária.

Já nos anos de redemocratização, Rabelo teve papel central na reorganização ideológica e estrutural do PCdoB. Entre 2001 e, ocupou a presidência nacional do partido, cargo no qual assumiu a tarefa de definir linhas de atuação e ampliar alianças. Sob sua liderança, o PCdoB passou a participar mais ativamente de frentes políticas de coalizão, fortalecendo projetos comuns com outras legendas de esquerda.

Contribuições e legado

O partido ressaltou que Rabelo deixou uma produção política, teórica e ideológica de grande relevância. Ele foi um dos articuladores, ao lado de figuras como João Amazonas, da construção da Frente Brasil Popular, bloco político que buscou unificar setores do PT, PSB e PCdoB em torno de candidaturas presidenciais e de um projeto de transformação social.

Uma das marcas da atuação de Rabelo foi sua habilidade em conciliar princípios históricos do comunismo com a prática de disputar espaços institucionais. À frente do partido, contribuiu para desenhar diretrizes que permitiram ao PCdoB integrar governos de coalizão, sempre mantendo posições críticas e propostas próprias sobre soberania, direitos sociais e justiça econômica.

Participação em campanhas e movimentos

Rabelo esteve presente em momentos fundamentais das mobilizações populares brasileiras: participou das greves do ABC, das campanhas das Diretas Já e das campanhas presidenciais que marcaram a vida política do país nas últimas décadas. Sua atuação se caracterizou pela articulação estratégica e pelo comprometimento com a unidade das forças progressistas.

Morte e reações

Segundo a nota do PCdoB, nos últimos três anos Renato dedicou-se a cuidar da saúde, sem deixar de contribuir com o partido. A nota afirma que “seu coração parou de bater na manhã deste domingo, 15 de fevereiro de “. O documento também destacou o legado de militância e a contribuição para a vida política brasileira.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou pesar pelas redes sociais, lembrando episódios comuns de luta e destacando a capacidade de Rabelo de reunir forças em defesa da soberania e da justiça social. Lula afirmou que a democracia brasileira perdeu “um de seus maiores nomes” e recordou companhias em lutas históricas.

A ministra Gleisi Hoffmann também se pronunciou, expressando afeto e lembrando a dedicação de Rabelo à defesa dos trabalhadores, do socialismo e do país. Outras lideranças políticas e militantes emitiram mensagens de condolências, ressaltando a importância do percurso político e humano do dirigente.

O que fica

Renato Rabelo deixa uma biografia marcada por resistência, organização e debate teórico-prático. Seu percurso, desde a militância estudantil até a presidência do partido, traduz uma trajetória de compromisso com ideais coletivos e com a construção de alianças políticas. Para muitos, seu exemplo será referência nas discussões sobre a atuação de partidos de esquerda em contextos democráticos.

O falecimento de Rabelo motiva reflexões sobre a memória das lutas democráticas e sobre a continuidade das estratégias políticas que ele ajudou a projetar. Em notas oficiais e mensagens públicas, o PCdoB e seus parceiros sublinharam que o legado do dirigente servirá como guia para quem pretende seguir na construção de um Brasil com mais justiça social e democracia participativa.