O Carnaval de São Paulo teve sua vitória finalizada pela LigaSP na terça-feira, 17 de fevereiro: a Mocidade Alegre foi declarada campeã do Grupo Especial de 2026. Com o enredo Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra, a escola trouxe para o Anhembi homenagens à atriz Léa Garcia e apresentou alegorias e fantasias que destacaram pesquisas históricas, referências culturais e excelência de produção.
O resultado oficial apontou a soma de 269,8 pontos para a campeã, que superou a Gaviões da Fiel por apenas 0,1 ponto — diferença mínima que ressaltou a competitividade entre as escolas nesta edição. Na mesma apuração foram confirmados o rebaixamento da Rosas de Ouro e da Água de Ouro e a programação do Desfile das Campeãs agendado para 21 de fevereiro.
O desfile e o enredo: homenagem e pesquisa cultural
A apresentação da Mocidade Alegre concentrou-se na vida e na obra de Léa Garcia, atriz reconhecida internacionalmente. O enredo, intitulado Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra, procurou traduzir em samba, carros e adereços elementos da trajetória artística da homenageada, além de celebrar a presença africana nas artes brasileiras. A escola chamou atenção pela sincronia entre canto, bateria e evolução dos carros alegóricos, o que contribuiu para a pontuação final.
Impacto visual e técnico
Os julgadores avaliaram aspectos técnicos — como evolução, alegoria, fantasia e comissão de frente — e também critérios de enredo e harmonia. A Mocidade Alegre destacou-se por carros imponentes e figurinos detalhados, aspectos que apareceram como pontos fortes nas notas. Foi visível, durante o desfile, a preocupação com a narrativa: cada setor procurou reforçar trechos da vida de Léa Garcia por meio de simbolismos e referências visuais.
O contexto das demais escolas e temas que marcaram o segundo dia
O segundo dia de desfiles trouxe propostas variadas, em que a representatividade foi tema recorrente. A Império de Casa Verde abordou tradições de ourivesaria africana e resistência histórica; a Gaviões da Fiel promoveu uma celebração aos saberes indígenas com seu imponente carro abre-alas; e outras escolas exploraram temas históricos, culturais e contemporâneos que dialogaram com o público e com os jurados.
Exemplos de enredos e repercussão
Entre as apresentações que chamaram atenção, a Gaviões da Fiel apresentou um carro abre-alas de grande impacto, com representação de lideranças indígenas e referências ao conhecimento ancestral. A Império de Casa Verde trouxe a tradição das joias afro-brasileiras e a jornada por liberdade, enquanto escolas como a Águia de Ouro mesclaram passado e presente ao usar referências internacionais e debates contemporâneos. Essas escolhas reforçam o papel do carnaval como plataforma de memória e debate social.
Apuração, pontuações e consequências
A apuração realizada em 17 de fevereiro pela LigaSP confirmou a vitória da Mocidade Alegre por margem estreita: 0,1 ponto sobre a segunda colocada. Esse resultado evidenciou como pequenos detalhes técnicos e de apresentação podem ser decisivos. Além da festa da campeã, a apuração definiu também as escolas rebaixadas: Rosas de Ouro e Água de Ouro perderam a permanência no Grupo Especial para a próxima temporada.
As escolas mais bem colocadas estão confirmadas para retornar ao Anhembi no Desfile das Campeãs, marcado para 21 de fevereiro, quando o público poderá rever trechos dos desfiles vencedores e a celebração oficial do título. Para a Mocidade Alegre, trata-se do 13º título no grupo especial, soma que reforça seu legado na história do carnaval paulistano.
O desfecho deste carnaval reafirma a força da pesquisa narrativa nos enredos, o impacto das apresentações técnicas e a importância da representação cultural nas escolas. A disputa acirrada, a escolha de temas ligados à memória afro-indígena e a confirmação das pontuações mostram que o Carnaval de São Paulo continua sendo palco de criatividade, competição e reflexão social.
