Menu
in

Missão presidencial amplia diálogo com Índia e Coreia do Sul para carne e grãos

A agenda comercial entre Brasil, Índia e Coreia do Sul ganhou intensidade com a presença de uma delegação oficial liderada pelo presidente e por ministros do setor agropecuário. O objetivo central da missão é traduzir a diplomacia em resultados práticos para o agronegócio brasileiro, abrindo portas para exportações e reduzindo entraves tarifários e sanitários que hoje limitam vendas.

Em especial, estão no foco as proteínas animais — carne de frango, carne suína e carne bovina — além de outros produtos como feijão e uvas.

A participação de representantes do setor privado, como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), e ministros do governo busca combinar interesses comerciais e soluções técnicas. A missão também inclui fóruns empresariais que reúnem centenas de executivos, criando um palco para propostas concretas, como a criação de cotas com tarifas reduzidas e o reconhecimento de áreas livres de determinadas doenças animais.

Por que Índia e Coreia do Sul são prioridades

A escolha destes destinos não é casual: a Índia é um mercado de grande porte, com demanda crescente por alimentos e proteínas, enquanto a Coreia do Sul figura entre os importadores relevantes de produtos agropecuários. Para o Brasil, a estratégia envolve tanto a expansão de volumes já comercializados quanto a abertura de segmentos ainda fechados por questões sanitárias ou tarifárias. No caso indiano, além de itens do complexo sucroalcooleiro e soja, há espaço para o feijão guandu e para a carne de frango, cuja competitividade é afetada por alíquotas elevadas.

Principais pautas em negociação

Entre os temas tratados pela comitiva estão propostas técnicas e comerciais que buscam transformar a estrutura das vendas internacionais. A ABPA, por exemplo, defende redução de tarifas sobre cortes de frango e a criação de cotas tarifárias com alíquotas diferenciadas para facilitar o ingresso inicial do produto no mercado indiano. Para a Coreia do Sul, a agenda envolve o aperfeiçoamento de critérios de regionalização da influenza aviária e a ampliação do reconhecimento de estados brasileiros como livres de febre aftosa sem vacinação, o que permitiria exportações de cortes suínos com ossos e miúdos.

Tarifas e cotas: mecanismos de curto prazo

Uma solução prática em debate é a implementação de cotas tarifárias temporárias ou permanentes com alíquotas reduzidas ou zeradas para determinados volumes. Essas medidas funcionam como um gatilho inicial que melhora a competitividade do produto brasileiro enquanto negociações mais amplas avançam. No caso específico da Índia, onde algumas alíquotas atingem 100% para cortes, a proposta de cotas pode viabilizar testes de mercado e aumentar a presença comercial sem demandar uma renegociação tarifária complexa de imediato.

Reconhecimento sanitário e regionalização

Já na Coreia do Sul, o avanço técnico passa por ajustes na forma como riscos sanitários são avaliados. O pedido brasileiro de reconhecer áreas menores — por exemplo, por município em vez de por estado — visa reduzir restrições comerciais decorrentes de surtos localizados de doenças como a influenza aviária. Paralelamente, a inclusão de estados brasileiros no rol de regiões livres de febre aftosa sem vacinação ampliaria a base de oferta de carne suína apta para exportação, agregando produtos de maior valor.

Impactos esperados para o agronegócio

Se as negociações resultarem em reduções tarifárias, cotas específicas e reconhecimento sanitário mais amplo, o impacto pode ser significativo: aumento das receitas de exportação, diversificação de destinos e melhor aproveitamento de cadeias produtivas, do produtor primário ao frigorífico. Para o setor, a missão representa uma oportunidade de inserir produtos que hoje enfrentam barreiras, como determinadas partes de frango e cortes suínos, em mercados de alto poder aquisitivo.

Próximos passos e desafios

O avanço depende agora de acordos técnicos e políticos que equilibrem interesses de consumidores importadores e dos exportadores brasileiros. A articulação inclui desde a apresentação de estudos sanitários até negociações comerciais em nível ministerial. A missão presidencial é apenas o ponto de partida: a materialização dos ganhos exigirá acompanhamento técnico constante e pactos administrativos com os parceiros asiáticos para garantir previsibilidade e competitividade no longo prazo.