Relatórios recentes revelam duas forças paralelas que estão remodelando tecnologia e saúde. No universo das criptomoedas, dados da Artemis divulgados pela CoinDesk apontam para uma queda expressiva na atividade de desenvolvimento: o número de commits caiu de 850 mil para 210 mil em relação ao início de 2026, uma redução de 75% que sinaliza migração de talento.
Ao mesmo tempo, a indústria farmacêutica vive uma disputa geopolítica por mercados e patentes, com destaque para a semaglutida.
A expiração da patente do principal fármaco contra obesidade em março de 2026 em países como China, Índia, Turquia, Canadá e Brasil acirra concorrência entre laboratórios e fabricantes de genéricos.
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Quais são as evidências da migração para a IA
Os números mostram deslocamento claro: o total semanal de desenvolvedores ativos no Ethereum recuou 34% em três meses, para 2.811 profissionais, enquanto Solana perdeu 40%, ficando com 942. Outros ecossistemas sofreram ainda mais: a Base registrou queda de 52% para 378 desenvolvedores e a Aptos teve uma retração de 60%.
Em termos de contribuições de código, plataformas como Celo reduziram 52% nos commits, e a BNB sofreu uma queda de 85%. Dentro do setor de cripto, a única área que cresceu foi a de infraestrutura de carteiras, com alta de 6%, indicando foco em segurança e custódia.
Evidências no GitHub e nas linguagens
Enquanto projetos cripto encolhem, o ecossistema de inteligência artificial explode no GitHub: existem hoje cerca de 4,3 milhões de repositórios relacionados à IA, com crescimento anual de 178%. Repositórios que usam Jupyter Notebooks avançaram 75% e aqueles com Dockerfiles cresceram 120%. A linguagem TypeScript ganhou mais de 1 milhão de novos contribuidores no último ano, ultrapassando Python e JavaScript em atividade.
Mineradoras e reservas: do Bitcoin para centros de dados de IA
O movimento não é exclusivo de desenvolvedores. Desde 2026, mineradoras de Bitcoin passaram a diversificar ou transformar operações para atender demanda por IA. Empresas como Hut 8, Northern Data Group e Core Scientific migraram parte das atividades para centros de dados voltados a inteligência artificial. No total, mineradoras públicas mantêm cerca de US$ 8 bilhões em reservas de Bitcoin.
Algumas posições específicas destacam a exposição: a Mara Holdings possui 53.822 bitcoins (aproximadamente US$ 3,8 bilhões), enquanto outras empresas públicas têm saldos relevantes como Riot (~18.000 BTC), Hut 8 (~13.700 BTC), CleanSpark (~13.500 BTC) e Galaxy (~6.800 BTC). A mobilidade de ativos e foco em IA pode influenciar preços do mercado.
Motivações financeiras e mensagem do mercado
Analistas e investidores citam que a mudança é impulsionada por retornos mais atraentes na área de IA do que na mineração tradicional. A citação de mercado sugere que um minerador poderia multiplicar o valor de suas ações ao transformar uma operação de mineração em um cliente para grandes provedores de nuvem especializados em IA. Em resumo, busca-se retorno de capital mais eficiente.
Semaglutida: fim de patente e novo mapa competitivo
No campo farmacêutico, os medicamentos que usam incretinas — incluindo os agonistas de GLP-1 como a semaglutida e duplos agonistas como a tirzepatida — transformaram o tratamento da obesidade e geraram receitas bilionárias. Projeções revisadas elevaram expectativas de vendas globais para até US$ 150 bilhões na próxima década, refletindo demanda elevada.
A expiração da patente da semaglutida em março de 2026 em mercados-chaves abre caminho para genéricos e biossimilares e intensifica concorrência entre China, Índia, EUA, Canadá e Brasil. Entre 2026 e 2029, várias patentes expiram, com estimativa de perda líquida global de até US$ 90 bilhões para inovadores.
Empresas indianas e chinesas já se movimentam: em 2026 a Lupin firmou acordo com a Gan & Lee para comercializar a bofanglutida, e a Biocon prepara versões genéricas de semaglutida. A busca por alternativas orais cresce pela resistência a injeções — estudo de 2026 apontou que 63,2% dos adultos têm medo de agulhas — e produtos como o Wegovy (lançamento em janeiro de 2026) e o possível oral da Eli Lilly, o orforglipron (esperado para aprovação pelo FDA em março de 2026), entram na disputa.
Projeções estimam que o mercado de medicamentos para emagrecimento pode chegar a US$ 95 bilhões até 2030, com cerca de 24% desse montante vindo de formas orais. O banco Goldman Sachs prevê que o comprimido da Eli Lilly conquiste 60% desse segmento, contra 21% da Novo Nordisk. Modelos de venda direta ao paciente, como NovoCare Pharmacy e LillyDirect, alteram ainda mais a dinâmica comercial.
Em síntese, os ecosistemas de tecnologia e saúde passam por reconfigurações simultâneas: talentos e infraestrutura migram em busca de melhores retornos na IA, enquanto a indústria farmacêutica enfrenta uma redefinição geopolítica por conta do fim de patentes como a da semaglutida. Ambos os movimentos terão impacto econômico e estratégico global.
