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Meta testa pagamentos em USDC via Solana e Polygon para criadores

A Meta iniciou um teste para remunerar criadores com a stablecoin USDC, com lançamento reportado em 29 de abril de 2026. Nesta fase inicial, a novidade está disponível para criadores elegíveis na Colômbia e nas Filipinas e utiliza as redes Solana e Polygon para movimentar os fundos.

A operação também conta com a parceria da Stripe, que atua como provedor da camada de pagamento e gera relatórios fiscais para as partes envolvidas. A Meta oferece a opção dentro das configurações de monetização das suas plataformas, permitindo que criadores indiquem um endereço de carteira compatível para receber USDC em vez de moeda fiduciária.

Por que a mudança importa

O movimento ganha relevo porque Facebook, Instagram e WhatsApp reúnem uma base combinada que se aproxima de bilhões de usuários — um alcance que pode acelerar a aceitação de pagamentos em stablecoins. Para muitos criadores, o uso de USDC significa menor exposição à volatilidade típica de criptomoedas não lastreadas e transferências mais rápidas e baratas quando realizadas por meio de Solana ou Polygon. Além disso, a presença da Stripe reduz fricções operacionais ao oferecer documentação fiscal e fluxo de conversão para atores que ainda precisam declarar rendimentos em moeda local.

Como funciona o pagamento em USDC

Na prática, os ganhos são convertidos pela Stripe em USDC e enviados para a carteira indicada pelo criador através das blockchains Solana ou Polygon. Essas redes foram escolhidas por oferecerem transações com baixa latência e custos reduzidos: a Solana tem confirmações em frações de segundo e taxas muito baixas, enquanto a Polygon também é conhecida por sua eficiência e compatibilidade com Ethereum. A conversão de USDC para moeda local não é feita automaticamente pela Meta; cabe ao usuário utilizar corretoras ou serviços locais para liquidar os fundos, se desejar receber em pesos ou na moeda filipina.

Carteiras suportadas e processo de recepção

Durante o piloto, a Meta lista carteiras compatíveis como MetaMask, Phantom, Binance, Bybit, Kraken, Exodus, Brave Wallet, além de soluções locais relevantes como Bitso, GCrypto do GCash e Coins.ph. O procedimento é simples: o criador acessa configurações de pagamento, escolhe USDC, informa um endereço de carteira e, no ciclo seguinte, recebe os fundos via a rede selecionada. A Stripe emite documentação que auxilia no cumprimento de obrigações fiscais, reduzindo um obstáculo importante à adoção.

Motivações geográficas e impacto local

A escolha da Colômbia e das Filipinas reflete problemas concretos com sistemas bancários e custos de remessa. Na Colômbia, criadores enfrentam variações cambiais, transferências lentas e tarifas que podem chegar a 5–8% em pagamentos menores; nas Filipinas, transferências internacionais frequentemente demoram até cinco dias úteis e custam entre US$ 15 e US$ 25 por operação. O uso de USDC nessas redes reduz fricção e tempo de liquidação, entregando uma experiência financeira mais ágil para quem depende de receitas recorrentes de audiência. Há ainda a perspectiva de expandir testes e integrar pagamentos no WhatsApp, dependendo do desempenho e da regulação.

Contexto regulatório e diferenças em relação à Libra

O projeto atual difere radicalmente da tentativa anterior da Meta com a Libra (rebatizada como Diem) em 2019, que pretendia lançar uma moeda própria e foi barrado por preocupações regulatórias. Em contraste, a Meta agora utiliza USDC emitido por terceiros (Circle), empregando infraestrutura terceirizada como a Stripe e blockchains públicas. A aprovação do GENIUS Act em 2026 criou um marco regulatório mais claro para stablecoins de pagamento, exigindo reservas auditadas e supervisão — fatores que reduziram riscos percebidos e permitiram que empresas tecnológicas voltassem a experimentar este tipo de solução.

O que pode mudar para blockchains e criadores

Se o piloto se expandir, redes como Solana e Polygon poderão consolidar sua reputação como infraestrutura de pagamentos de grande escala, com volumes reais entrando nas cadeias. Para a Meta, a estratégia atual é a de cliente de um ecossistema já regulamentado em vez de emissora; isso altera a dinâmica política e técnica em comparação com a era Libra. Do lado do criador, a novidade oferece alternativas práticas para contornar gargalos bancários, com o cuidado de entender processos de conversão, custody de chaves e obrigações fiscais. Em suma, trata-se de um experimento que une alcance das plataformas sociais, eficiência de redes públicas e serviços financeiros com compliance — um teste cujo desfecho pode redesenhar pagamentos entre criadores e plataformas digitais.

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