O grupo Manchester, que administra mais de R$ 26 bilhões em custódia, anunciou a compra da Rêmora Capital como parte de um movimento acelerado de expansão. Esta é a quarta aquisição realizada em seis meses e tem como objetivo reforçar a atuação no segmento de crédito e captação de recursos.
Segundo comunicados internos, a operação foi noticiada em 16/04/2026, inserindo-se em uma sequência de aquisições que visam diversificar o portfólio de serviços oferecidos pelo escritório, que é um dos maiores filiados à XP.
Na prática, a compra busca transformar a participação do crédito na composição de receitas do grupo. A meta anunciada pela diretoria é que o segmento de crédito responda por cerca de 30% das receitas em até três anos, um salto relevante frente aos cerca de 10% atuais. Para efeito de comparação, o ano anterior registrou uma receita consolidada próxima de R$ 200 milhões, apontando o potencial de crescimento com produtos mais estruturados. A mudança reflete demandas dos clientes por soluções completas, que incluam não só gestão de ativos, mas também apoio em estruturação de dívida e captação.
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O que traz a Rêmora Capital
A Rêmora Capital chega com expertise técnica em estruturação de instrumentos de dívida, ampliando a capacidade do Manchester em oferecer ofertas mais complexas. Entre os produtos em que a consultoria é especializada estão FIDCs, CRIs, CRAs e debêntures. Para explicar: FIDC (fundos de investimento em direitos creditórios) e CRI (certificados de recebíveis imobiliários) são estruturas que permitem transformar recebíveis em ativos negociáveis, e a Rêmora mostrou histórico relevante na montagem dessas operações. Além disso, cerca de 65% das atividades recentes da Rêmora envolveram reestruturação de dívidas, o que reforça sua utilidade em cenários de maiores taxas e volatilidade.
Capacidades técnicas e impacto operacional
Ao incorporar a equipe da Rêmora, o Manchester adiciona know‑how em modelagem, documentação e distribuição de operações de crédito estruturado. Esse reforço operacional tem efeitos imediatos na oferta ao cliente: passa a ser possível combinar assessoria de investimentos com consultoria de captação, oferecendo soluções customizadas para empresas de pequeno e médio porte. O portfólio ampliado facilita também a atuação em segmentos regionais menos atendidos, onde existe demanda por instrumentos alternativos de financiamento e estratégias de crédito adaptadas ao perfil local.
O reflexo no mercado de assessoria
A movimentação da Manchester está alinhada a uma tendência maior no setor: clientes buscam parceiros que ofereçam serviços integrados, indo além da simples venda de produtos. Nas palavras da diretoria, o modelo baseado no consultor‑estrela que recomenda produtos isolados perde força diante de um mercado que exige resultados mensuráveis e soluções completas. Isso muda a dinâmica competitiva entre os escritórios, pressionando players a investir em equipes técnicas e operações próprias, em vez de depender apenas de plataformas terceirizadas para execução.
Antecedentes e próximos passos
A aquisição da Rêmora soma‑se a outras compras recentes do grupo, como Ficus Capital, Maven e Siglo, que buscavam escalar a oferta de assessoria e presença geográfica. O Manchester, que iniciou atividades atendendo famílias em Joinville desde 1967, agora mira consolidar presença em regiões onde ainda tem atuação menor, especialmente no estado de São Paulo. Executivos afirmam que novas aquisições são parte da estratégia para acelerar a expansão e preencher lacunas em competências técnicas.
O que muda para clientes e para o setor
Para clientes, a integração promete acesso a soluções completas de investimento e financiamento no mesmo ecossistema, o que pode reduzir custos e melhorar a coordenação em operações complexas. Para o mercado, a tendência é de maior profissionalização das estruturas de assessoria e de uma competição pautada em capacidade de estruturar negócios e gerar resultado. A aposta é que, com recursos e expertise, o Manchester transforme a nova unidade em um motor de crescimento em crédito, atendendo demandas tanto de empresas como de investidores em busca de alternativas de rendimento.
