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Investigação no Rio aponta grupo ligado ao Faraó dos Bitcoins e blitz nacional

Em 4 de março de 2026, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deram início à Operação Pecunia Obscura, uma ofensiva voltada a desarticular uma organização criminosa suspeita de movimentar cerca de R$ 320 milhões.

O inquérito relaciona o grupo a fraudes em fintechs, falsificação de documentos, uso de empresas de fachada e envio de recursos para exchanges internacionais. As autoridades também requisitaram o bloqueio de até R$ 150 milhões e o sequestro de bens móveis e imóveis.

As investigações começaram em 2026 após a comunicação de um prejuízo inicial de R$ 1 milhão por parte de uma empresa de tecnologia financeira. Desde então, o trabalho policial identificou padrões de depósitos fracionados, uso de contas digitais múltiplas e operações complexas envolvendo criptoativos para dificultar o rastreamento dos recursos. Em caráter integrado, equipes atuaram no Rio de Janeiro, no Maranhão e em Minas Gerais para cumprir mandados e efetuar prisões.

Estrutura da operação e medidas judiciais

A ofensiva cumpriu quatro mandados de prisão e 23 ordens de busca e apreensão autorizadas pela Justiça. Além das diligências, foi determinada a decretação do sequestro de bens e o bloqueio de valores em contas bancárias. O volume das medidas reflete a complexidade do caso: as autoridades identificaram movimentações atípicas ao longo de cinco anos, com auxílio de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Ações em campo e prisões

Operações foram realizadas em cidades da Região dos Lagos como Armação dos Búzios, Saquarema e Araruama, além de alvos em Niterói, São Gonçalo e na capital fluminense. No Maranhão, a Polícia Civil local também cumpriu mandados e prendeu suspeitos na Grande Ilha, incluindo detenção por porte de munição de uso restrito. Três prisões foram confirmadas nas primeiras horas da ação, e um dos investigados detidos no Rio tem apontamento como possível líder do esquema.

Modus operandi: fraudes digitais e lavagem de dinheiro

Segundo a denúncia apresentada pelo MPRJ, o grupo explorava falhas em sistemas de fintechs e plataformas de pagamentos para criar centenas de contas digitais com documentos falsos. Com esse mecanismo, os investigados praticavam sucessivos crimes de estelionato e deslocavam os recursos por meio de depósitos em espécie e contratos simulados. Para dar origem aparente lícita aos valores, utilizaram empresas de fachada e esquemas que envolviam compra e venda simulada de veículos, aquisição de imóveis e utilização de exchanges internacionais.

Uso de criptoativos e remessas externas

Parte do esquema envolvia a conversão de valores em criptoativos e o envio de fundos para o exterior por plataformas digitais, recurso apontado pelos investigadores como estratégia para ocultar a origem dos recursos e dificultar a recuperação patrimonial. A denúncia descreve que a interação entre serviços de pagamento acelerados e procedimentos de verificação menos rigorosos favoreceu a atuação criminosa.

Relações com a GAS Consultoria e o ‘Faraó dos Bitcoins’

A apuração identificou transações que beneficiaram a GAS Consultoria, empresa associada a Glaidson Acácio dos Santos, conhecido na mídia como o Faraó dos Bitcoins. Embora Glaidson esteja preso em outro processo relativo a uma pirâmide financeira, o MPRJ informou que ele não é alvo direto desta operação. A investigação, no entanto, aponta vínculos financeiros e a utilização de estruturas já conhecidas no mercado de criptoativos.

Denúncias e próximo passos

O Ministério Público denunciou pelo menos 11 integrantes da organização por crimes que incluem estelionato, falsificação de registros públicos e lavagem de dinheiro. As autoridades continuam a analisar fluxos financeiros e a solicitar cooperação internacional para rastrear valores enviados ao exterior. As medidas judiciais visam não só responsabilizar os envolvidos, mas também recuperar ativos desviados e aprimorar a detecção de fraudes em plataformas digitais.

Impactos para fintechs e usuários

Especialistas ouvidos pela investigação destacam que o caso expõe fragilidades nos processos de abertura de conta e na verificação de identidade adotados por algumas fintechs, que privilegiam rapidez e experiência do usuário em detrimento de controles mais robustos. O episódio deve provocar revisão de procedimentos de compliance, due diligence e monitoramento de transações para reduzir vulnerabilidades exploradas por grupos criminosos.

O caso segue em fase de instrução e com desdobramentos previstos nas próximas semanas.

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