O cenário financeiro brasileiro mostrou movimentos relevantes envolvendo investidores globais e a dinâmica do pregão local. Documentos públicos indicam que Stanley Druckenmiller, por meio do Duquesne Family Office, comprou cerca de 3,5–3,6 milhões de cotas do iShares MSCI Brazil ETF (EWZ) no trimestre encerrado em 31 de dezembro. A posição tinha valor de mercado aproximado de US$ 113 milhões em dezembro e representava cerca de 2,5% da carteira.
Ao mesmo tempo, o investidor zerou a exposição ao Nubank, segundo as mesmas declarações.
Esse movimento de realocação ocorre em um ambiente onde o fluxo de capital estrangeiro tem ganhado destaque e as oscilações de commodities e indicadores externos influenciam fortemente as ações locais. No dia 18 de fevereiro de 2026 o principal índice brasileiro, o Ibovespa, fechou em queda de 0,24%, aos 186.016 pontos, em um pregão marcado por ajuste técnico e vencimento de opções.
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Por que Druckenmiller comprou o ETF e vendeu Nubank
Do ponto de vista estratégico, adquirir cotas do EWZ oferece exposição diversificada ao mercado brasileiro sem a concentração em um único emissor. A entrada do Duquesne Family Office no ETF veio acompanhada de posições em opções de compra, sugerindo expectativa de valorização ou proteção direcional. Ao mesmo tempo, a saída do Nubank pode indicar preferência por uma abordagem mais ampla sobre o país em vez de apostas idiossincráticas em fintechs, ou simplesmente rebalanceamento da carteira após ganhos ou riscos percebidos.
Contexto da alocação
O movimento também coincide com um período de valorização do índice: o Ibovespa subiu mais de 10% nos três meses anteriores ao encerramento do trimestre reportado, o que pode ter criado oportunidades para venda de ações individuais e compra de exposição setorial via ETF. Além disso, a compra de cotas é complementada por notas de mercado sobre maior afluxo de capital estrangeiro no início de 2026.
Pregão de 18/02/2026: pressão da Vale e ambiente externo
No retorno do feriado de Carnaval, o pregão foi afetado por uma forte queda das ações da Vale, que recuaram 3,57%, cotadas a R$ 83,92. O volume financeiro do dia foi expressivo, cerca de R$ 76,3 bilhões, impulsionado pelo vencimento de opções e pela reação dos recibos de ações negociados no exterior (ADRs), que já refletiam movimentos internacionais enquanto o mercado doméstico estava fechado.
Fatores que pressionaram Vale
Entre os elementos que pesaram sobre a mineradora estão a incerteza da demanda chinesa por minério de ferro e o aumento dos estoques nos portos asiáticos. Analistas destacam que, embora a commodity esteja próxima de US$ 108 por tonelada, há sinais de enfraquecimento no consumo. Outro risco relevante citado no mercado é o avanço de projetos como a mina de Simandou, na Guiné, que pode ampliar oferta e pressionar preços a partir de 2027.
Influências internacionais e desempenho setorial
O ambiente externo contribuiu para a sessão: as bolsas dos Estados Unidos fecharam em alta, com o S&P 500 subindo 0,56%, enquanto a ata do Federal Reserve reforçou a possibilidade de manutenção de juros elevados caso a inflação se mantenha resistente. Paralelamente, tensões geopolíticas envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã impulsionaram os preços do petróleo, beneficiando nomes do setor energético no Brasil.
Na ponta positiva do pregão, as ações da Raízen PN subiram 6,35%, PetroRecôncavo avançou 3,59% e papéis da Petrobras também registraram valorização. Já outros papéis sentiram os resultados e a rotação: GPA caiu 4,55% e o IRB cedeu 3,03% após divulgação de resultados abaixo do esperado.
Perspectivas e fluxo de capitais
Apesar da queda pontual do Ibovespa em 18/02/2026, a visão de médio prazo mantém um tom otimista entre gestores. Uma pesquisa do Bank of America indicou que 74% dos gestores na América Latina projetam o índice acima de 190 mil pontos ainda em 2026, e 30% acreditam que ele pode superar os 210 mil pontos até o fim do ano. Complementando esse otimismo, até 12 de fevereiro investidores estrangeiros haviam alocado cerca de R$ 34,6 bilhões em ações listadas na B3, superando o total do ano anterior (R$ 25,4 bilhões em 2026).
