O gestor Stanley Druckenmiller, por meio da Duquesne Family Office, redesenhou parte da carteira no trimestre encerrado em 31 de dezembro. Segundo o relatório divulgado, foi adquirida uma posição de 3,6 milhões de cotas no iShares MSCI Brazil ETF (EWZ), avaliada em aproximadamente US$ 113 milhões, o que representava cerca de 2,5% da carteira na data informada.
Ao mesmo tempo, a exposição a Nubank foi totalmente encerrada.
Essas movimentações chegam em um momento de menor liquidez nos mercados globais por conta de feriados regionais e flutuações de ativos ligados às commodities e moedas. A compra de cotas do EWZ revela uma preferência por exposição ampla ao mercado brasileiro via ETF, enquanto o corte em Nubank indica realocação ou redução de risco em ações específicas.
O que significa a aposta no EWZ
A entrada em 3,6 milhões de cotas do EWZ significa que o gestor optou por uma cesta diversificada de títulos brasileiros listados nos Estados Unidos. O EWZ acompanha o MSCI Brazil 25/50 Index, que reúne grandes nomes como Vale, Petrobras e Itaú. Ao escolher um ETF em vez de ações isoladas, há uma intenção clara de ganhar exposição setorial e reduzir o risco idiossincrático associado a empresas individuais.
Vantagens e riscos
O uso do ETF oferece liquidez e diversificação; contudo, está sujeito a fatores externos como sentimento internacional, preço de commodities e liquidez sazonal. Em dias de feriado no Brasil e em parte da Ásia, por exemplo, a referência de preço para papéis como Vale (minério de ferro) fica mais limitada, aumentando a volatilidade dos ADRs.
Saída de Nubank e implicações
Zerar a posição em Nubank indica uma decisão tática: retirar capital de uma ação numa perspectiva de risco-retorno específica. Embora o relatório não detalhe razões operacionais, movimentos desse tipo podem refletir avaliação sobre valuations, perspectivas do setor financeiro ou necessidade de rebalanceamento da carteira global.
Impacto prático
Para investidores que acompanham alocações de grandes gestores, a saída de uma ação como Nubank costuma servir como sinal de revisão de expectativa. Ainda assim, a compra de um ETF nacional sugere que a convicção quanto ao país permanece, mesmo que a preferência por instrumentos tenha mudado.
Contexto de mercado durante as movimentações
No dia em que essas informações ganharam destaque, o EWZ recuou 0,83% nos Estados Unidos, negociado a US$ 37,74 em 17 de fevereiro, reflexo da menor liquidez provocada pelo carnaval no Brasil e pelo Ano Novo Lunar em parte da Ásia. Com a bolsa brasileira fechada, os ADRs operaram sem referência local: os papéis da Vale caíram 4,53% na NYSE, a US$ 15,90, e os da Petrobras recuaram 1,12%, a US$ 15,02.
Além disso, o índice do dólar DXY subiu levemente, a 97,16 pontos (alta de 0,07%), enquanto os contratos futuros do ouro para abril mostraram queda significativa de 2,78%, negociados a US$ 4.905,90 a onça-troy na divisão Comex da Nymex. Esses movimentos macroeconômicos e de ativos de refugio influenciam a percepção de risco e fluxo para ETFs emergentes.
As decisões da Duquesne Family Office espelham uma estratégia dupla: aumentar a exposição ao Brasil via um ETF diversificado, enquanto elimina posições seletivas que podem apresentar volatilidade ou desalinhamento com a visão global do portfólio. Para investidores, a leitura mais prudente é acompanhar desdobramentos e ver se a alocação em EWZ será reforçada ou ajustada em trimestres futuros.
